As confederações esportivas ligadas ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) endossaram a posição da entidade que comanda os esportes olímpicos no País e se manifestaram a favor do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, no período semelhante ao originalmente estabelecido, entre o fim de julho e a primeira quinzena de agosto.

O motivo do pedido da prorrogação do megaevento é a pandemia do novo coronavírus. Diante da rápida expansão da doença no Brasil e no mundo, as entidades destacam que os atletas estão impossibilitados de manter a rotina normal de treinos, uma vez que as autoridades de saúde pedem que haja o distanciamento social como forma de evitar a propagação do vírus e várias instalações estão fechadas.

O posicionamento do COB e das confederações brasileiras se opõe aos do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do governo japonês, que entendem que o evento deve ocorrer na data prevista, apesar da pandemia da covid-19 que assola o mundo.

A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) informou neste sábado que vai enviar uma carta à Federação Internacional de Ginástica (FIG) para pleitear o adiamento da Olimpíada de Tóquio

“Nossos atletas não podem treinar e estamos impossibilitados de fazer planos de viagens. Neste momento a crise mundial provocada pela pandemia se impõe sobre o planejamento anteriormente traçado, que é forçosamente relegado a um segundo plano. Os Jogos Olímpicos são a celebração da vida e da amizade entre os povos, e pressupõem os melhores atletas do mundo no topo de suas performances. No quadro atual, essa perspectiva é impossível. O evento não pode jamais nos colocar em risco. Diante de toda essa incerteza, nosso compromisso é reforçar o pleito pelo adiamento do evento de Tóquio”, declarou a presidente da CBG, Maria Luciene Cacho Resende.

Henrique Motta, coordenador-geral e de eventos da CBG entende que o momento estabelece outra dinâmica. “Este é um momento para reforçarmos valores fundamentais. A prática esportiva não pode ser realizada da mesma forma por todos neste período. Nossa sociedade passa por outros desafios que exigem a dedicação e o cuidado integral de todos nós”, avalia.

A CBG reconhece que o “adiamento certamente causará transtornos e não é uma solução perfeita”, mas ressalta que a medida “oferece uma perspectiva de retomada futura, permitindo que nossos atletas voltem a brilhar nos Jogos Olímpicos de 2021”.

A Confederação Brasil de Desportos Aquáticos (CBDA) foi mais uma a se mostrar favorável à prorrogação dos Jogos de Tóquio. Em nota assinada pelo presidente Luiz Fernando Coelho, a entidade enfatizou que a maior preocupação no momento é “salvaguardar a saúde de nossos atletas, comissões técnicas e suas famílias”.

A CBDA também destacou que o cenário atual contribui para a proliferação do novo coronavírus entre os atletas. “O atual quadro de inúmeras piscinas fechadas e o pequeno grupo de atletas que tem conseguido ter acesso a improvisadas e precárias condições de treinamento não só afetam suas respectivas performances, mas principalmente a exposição e o aumento da possibilidade de contágio”.

A Confederação Brasileira de Vôlei considera que não há condições para que o maior evento esportivo do mundo seja realizado. “Sabemos do momento mágico que é uma edição dos Jogos, o quanto os atletas se preparam e esperam por isso, e, justamente visando ter uma competição no mais alto nível, como merecido, que concordamos que este não é o ano ideal”, disse o diretor executivo da CBV, Radamés Lattari.

Como parte do esforço de contenção da disseminação da covid-19, a CBV adiou e/ou encerrou as competições que organiza. A Superliga masculina de vôlei foi paralisada. A liga feminina foi finalizada e não terá um campeão. Os rumos opostos foram decididos em uma reunião via videoconferência com representantes da entidade e as 24 equipes.