Morre Adílson Maguila Rodrigues, símbolo do boxe nos anos 1980

Boxeador foi um ícone do Brasil dos anos 1980, com seu jeito simples e suas vitórias nos ringues

Esporte Banda B

Maguila foi um ícone do Brasil dos anos 1980, com seu jeito simples e suas vitórias nos ringues.

Nos últimos 15 anos, Maguila tratava da ETC, a encefalopatia traumática crônica. Foto: Arquivo

O esporte brasileiro perdeu Adílson Maguila Rodrigues. O boxeador tinha 66 anos e faleceu por decorrências da ETC (encefalopatia traumática crônica), doença que tem sintomas semelhantes ao Mal de Alzheimer, mas que é fruto de seguidos golpes na cabeça, e é associada ao esporte. Nos anos 1980, Maguila foi um personagem presente na televisão aos domingos, saindo da pobreza para ser o segundo colocado no ranking do Conselho Mundial de Boxe.

Adílson Rodrigues virou Maguila ainda quando era pedreiro. Colegas de trabalho o achavam parecido com o personagem Maguila, o Gorila, dos desenhos de Hanna-Barbera. O apelido pegou, ainda mais em um Brasil dos anos 1980. Forte e carismático – seria um gerador involuntário de memes hoje -, ele foi “adotado” pelo narrador Luciano do Valle, que à época era o diretor de esportes da TV Bandeirantes.

Com Ralph Zumbano (o técnico de Eder Jofre) e o ex-campeão mundial Miguel de Oliveira como treinadores no início de carreira, Maguila passou das lutas folclóricas para vitórias marcantes. Com seus combates marcados para às 19h ou 20h dos domingos (para combater Os Trapalhões, o Fantástico e o Programa Silvio Santos), Adílson Rodrigues teve duelos famosos contra o argentino Daniel Falconi e o americano James “Quebra-Ossos” Smith.

Maguila, o apogeu e a queda

Entre 1987 e 1989, Maguila evoluiu muito como atleta e boxeador. E era um ídolo do esporte brasileiro. E foi subindo no ranking do Conselho Mundial de Boxe. Ao chegar em segundo, havia uma expectativa de que ele enfrentasse Mike Tyson, até então imbatível. Mas havia outro postulante ao título dos pesos-pesados. E em julho de 1989 ele foi ao ringue para encarar Evander Holyfield e perdeu no segundo assalto por nocaute. Maguila não se deu por vencido e ainda tentou manter-se em alta, mas no ano seguinte perdeu para George Foreman, também por nocaute, e saiu da lista dos principais lutadores do planeta.

Até o encerramento oficial da carreira, em 2000, Adílson Maguila Rodrigues também foi comentarista de TV, participante de programas humorísticos e até cantor. Mas desde 2010 lutava contra a encefalopatia traumática crônica – também conhecida como “demência pugilística”. Teve várias internações e em 2017 passou a receber tratamento paliativo com o uso de canabidiol. Mas ele não resistiu à doença degenerativa e acabou falecendo na tarde desta quinta-feira (24).

Sair da versão mobile