Quando se fala em apostas, ao menos no Brasil, o sentimento é dúbio. Se para muitos elas podem significar uma mudança de vida instantânea, para outros representa prejuízos que vão muito além do financeiro. Mas a verdade é que, no fundo, o brasileiro gosta mesmo de apostar.

Proibidas no país desde a década de 40, as apostas em cassinos fazem parte apenas do imaginário de boa parte da população. No entanto, o volume de apostas nas loterias federais aponta que existe uma demanda altamente reprimida entre os brasileiros. De olho nesse mercado em potencial, os principais sites de apostas do mundo se adaptaram às restrições impostas pelas leis brasileiras e passaram a oferecer conteúdo traduzido e suporte aos clientes em português.

As sedes e infraestruturas dessas empresas permanecem hospedadas em países com legislação específica para a atividade. Porém, esse modelo parece estar com os dias contados. No final de 2018 o então presidente Michel Temer promulgou uma lei que permite o funcionamento de apostas de cota fixa no Brasil, o que beneficia diretamente os cassinos online.

Enquanto aguardam pela regulamentação da lei aprovada no apagar das luzes do governo anterior, as empresas de apostas e cassinos online têm investido pesadamente em marketing digital, além de propagandas na tv ou por meio de patrocínios a equipes esportivas. A ordem do momento é ser conhecido e reconhecido como referência no mercado de apostas.

Outra prática adotada nessa guerra pela atenção do apostador local, é a cessão de créditos extras para quem aposta. Ou seja, cassinos online oferecem bônus para o público brasileiro, no intuito de estabelecer uma relação de confiança com os apostadores. As vantagens varia, mas é comum encontrar sites que mais que duplicam a cota investida pelo apostador, o que pode ser extremamente atraente.

Se os apostadores brasileiros estão ganhando com a concorrência, o governo tem deixado de arrecadar com a demora na regulamentação da atividade de apostas de cota fixa no país. A previsão inicial era de que até fevereiro de 2020 a lei estaria regulamentada. No entanto, com a pandemia e a mudança das agendas prioritárias no congresso, isso acabou ficando para depois. Oficialmente o governo diz que ainda está realizando estudos em outros países para entender qual o melhor caminho a ser adotado por aqui.

Legalização dos cassinos físicos também se aproxima

A situação de momento a respeito da legalização dos cassinos no Brasil é paradoxal. Se por um lado as tramitações estão oficialmente paradas por conta das demandas geradas pela crise do coronavírus, a aceleração da legalização seria fundamental para a retomada do emprego e da atividade econômica do país no pós-pandemia. Ao menos é o que defendem entidades do setor de hotelaria e turismo, além de parlamentares favoráveis à medida.

A proposta preferida pelos parlamentares, que prevê a instalação de cassinos exclusivamente em resorts integrados e com prioridade para áreas de baixo IDH é também a preferida do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Enquanto os deputados e empresários do setor fazem o trabalho de convencimento de quem ainda é resistente às medidas, como a bancada evangélica, um grupo de estudos tem analisado a viabilidade técnica da instalação dos cassinos e qual o melhor modelo a ser aplicado no Brasil.

Estima-se que com a chegada dos cassinos integrados aos resorts, sejam gerados num primeiro momento 300 mil empregos com carteira assinada e mais 300 mil empregos indiretos, na cadeia de fornecimento. O Ministério do Turismo, pasta que cuida de uma das áreas mais afetadas pela pandemia, também é entusiasta da ideia e tem defendido a legalização dos cassinos físicos no país.

O Ministro Marcelo Álvaro Antônio promete um aporte de mais de 40 bilhões de dólares no Brasil somente no primeiro momento, com outorgas e investimentos imediatos. Mais receitas seriam geradas com o passar do tempo. Enquanto o modelo de regulamentação segue sendo discutido, grandes grupos norte-americanos aguardam ansiosos para investir no país.