Definitivamente as seis primeiras rodadas do Brasileiro não foram boas para o Atlético. Mau desempenho em campo, demora na contratação de reforços, mudança de treinador e apreensão da torcida, que já se via às voltas com o fantasma do rebaixamento, que tanto assombrou a Arena da Baixada nos últimos anos. Mas, como futebol é muito dinâmico, uma vitória heróica, de virada, por 3 x 2 em cima do Botafogo, na quinta-feira passada, parece ter dado tranquilidade ao time. Os torcedores continuam receosos, pois foi apenas a primeira partida sob o comando do técnico Paulo César Carpegiani. Porém, foi visível a mudança de postura da equipe, muito mais confiante de seu próprio potencial.
Para entrar na paralisação para a Copa do Mundo com mais tranquilidade ainda, era preciso vencer um abalado Vitória, 18º colocado, no Barradão. Além dos três pontos, seria a primeira vitória rubro-negra fora de casa neste Brasileiro, e um triunfo que afastaria ainda mais o Furacão da zona do rebaixamento. Carpegiani fez mistério sobre a escalação até o último instante, mas teve que mexer na equipe: Valencia voltou ao meio-campo, e Fransérgio jogou de zagueiro, com Manoel atuando pela lateral-direita. De última hora, Maikon Leite acabou vetado com dores no ombro, mas Paulo Baier foi liberado.
O primeiro tempo começou com o Vitória melhor no jogo. A equipe baiana tinha mais posse de bola e trocava bons passes no meio de campo. Por outro lado, o Atlético enfrentava dificuldades em criar jogadas pela direita, pois Manoel jogava improvisado como lateral, com Valencia aberto pelo mesmo setor. Apesar de algumas dificuldades, o Furacão conseguia chegar ao ataque, assim como o Leão, o que deixou o jogo bastante aberto nos primeiros 20 minutos da partida.
Com o cronômetro rolando e o jogo muito truncado no meio de campo, com 25 minutos de jogo, a torcida baiana começou a pressionar e a vaiar a equipe. Pouco antes do início do protesto, o Furacão teve uma boa oportunidade de abrir o placar, depois de um rápido contra-ataque de Márcio Azevedo. Paulo Baier recebeu do lateral e bateu com perigo, a bola passou muito perto da meta de Viáfara, que saiu dando uma bronca geral na zaga do Leão. A partir disso, o Atlético teve um bom momento na partida, pressionando o adversário depois dos 30 minutos e tomando controle do jogo.
O Furacão foi crescendo com o passar do tempo, armando boas jogadas pelo lado esquerdo com Branquinho e Márcio Azevedo. O Leão errava muitos passes e foi se deixando envolver pelo Atlético, que terminou o primeiro tempo melhor em campo. Paulo Baier quase marcou duas vezes e Bruno Mineiro acertou a trave de Viáfara. Aliás, o goleiro colombiano salvou o Vitória, garantindo o empate em 0 x 0 durante a etapa inicial. No intervalo, os jogadores rubro-negro se mostraram satisfeitos com o desempenho do time, que realmente foi bem e podia estar vencendo o Vitória.
Como era esperado, Ricardo Silva mexeu no Leão para tentar movimentar melhor a equipe baiana e tentar fugir da boa marcação atleticana. A ideia era ter mais um jogador na armação de jogadas, no caso Renan Oliveira, para auxiliar Ramon, que teve bastante espaço durante o primeiro lado. Do lado paranaense, nada de mudanças, já que o rendimento do Furacão foi satisfatório durante os primeiros 45 minutos de jogo. E a substituição deu certo: o Leão começou a etapa final pressionando o Atlético, principalmente pelo lado direito, onde o time paranaense tinha Manoel e Valencia jogando improvisados.
Depois de 10 minutos de pressão baiana, o Atlético conseguiu equilibrar as ações do jogo. A partida ficou muito boa, com as duas equipes atacando bastante. Era lá e cá, os dois times abusavam dos contra-ataques em velocidade. Aos 11 minutos, Branquinho fez boa jogada, driblou Vanderson e foi derrubado dentro da área pelo adversário. O árbitro não marcou o pênalti claríssimo para o Furacão. O jogo seguia com bons lances de gol, a maioria para o lado rubro-negro, que chegou a marcar com Bruno Mineiro, aos 19 minutos, mas o tento foi anulado, pois o atacante estava em posição de impedimento na hora em que cabeceou para as redes.
O jogo seguia com o Atlético melhor, mas a equipe paranaense pecava nas finalizações e não conseguia marcar. E como quem não faz, leva. Aos 35 minutos, Elkeson cobrou falta para a área e Schwenk cabeceou para o fundo das redes, colocando o time da casa na frente no placar. Apesar da superioridade, o Furacão vacilou ao não definir antes a partida e, com o gol sofrido, a torcida do Leão acordou e passou a empurrar o Vitória em busca da vitória, faltando poucos minutos para o apito final.
E não deu tempo para o Altético empatar. Com mais uma derrota na bagagem, a equipe de Carpegiani aguarda os resultados dos jogos de Inter e Atlético Mineiro para saber se passará o período da Copa do Mundo na zona do rebaixamento ou se escapará na sorte. Mas é preciso aproveitar estes 38 dias sem jogos para consertar as falhas da equipe, que realmente se mostram decisivas para os resultados ruins do rubro-negro. Por enquanto, o Furacão é o 16º colocado, com apenas sete pontos em sete partidas.
FICHA TÉCNICA
Vitória
Viáfara; Nino Paraíba, Wallace, Reniê e Egídio; Vanderson, Jonas (Renan Oliveira, Intervalo), Neto Coruja, Elkeson e Ramón (Schwenck, 18’/2ºT); Júnior (Lenílson, 43’/2ºT).
Técnico: Ricardo Silva
Atlético
Neto; Manoel, Fransérgio e Rhofolfo; Valencia (Lisa, 32’/2ºT), Chico, Branquinho (Tartá, 26’/2ºT), Paulo Baier e Márcio Azevedo; Alex Mineiro e Bruno Mineiro.
Técnico: Paulo César Carpegiani
Data: 05/06/2010
Local: Barradão – Salvador (BA)
Árbitro: Elmo Resende Cunha (GO)
Auxiliares: Cristhian Passos Sorence (GO) e Jesmar Benedito Miranda Paula (GO)
Público: –
Cartões amarelos: Chico e Rhodolfo (CAP) Neto Coruja e Nino Paraíba (VIT)
Cartões vermelho: –
Gol: Schwenck, 35’/2ºT (1-0).