Vila Belmiro, estádio do Santos. (Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Santos anunciou na noite desta quarta-feira (23) que o funcionário Roberto Rabelato, gerente de controladoria na gestão do presidente Orlando Rollo, pediu seu desligamento após ter sido acusado de racismo.
Segundo um advogado do clube, Cléber Pinto, que é negro, Rabelato abriu a porta de sua sala e disse “aqui é a senzala”.
O caso veio à tona após reportagem da ESPN apresentar áudio de uma reunião com a presença de Cléber, Rollo e Rabelato, no último dia 17, na qual o advogado fez a denúncia.
“Então estou falando na cara dele aqui, nos olhos dele. Que ele diga aqui que não abriu um dia a porta da sala lá e disse ‘aqui é a senzala’. Quero que ele diga isso, que não falou isso. Eu fiquei tão estupefato que eu não acreditei. Então quero que ele diga na minha cara que ele tem algum problema comigo por eu ser negro porque eu não acredito nisso. Agora, que ele falou isso na minha cara, ele falou. Mas ele não falou assim diretamente. Ele abriu a porta, olhou e falou ‘ah, aqui é a senzala’. Por que ele fez isso? Não sei. Está engasgado aqui”, disse o advogado.
Na ocasião, segundo a reportagem da ESPN, Rabelato confirmou o que disse ao advogado. Rollo, então, alertou para a gravidade da acusação e disse que faria nova reunião com o gerente.
Em nota publicada em seu site oficial nesta quarta, o Santos diz “que todas as providências foram imediatamente adotadas quando os fatos foram narrados à direção do clube, quer seja em acionar o Departamento Jurídico, instaurar procedimento na Divisão de Inquérito e Sindicância e que fossem adotadas as devidas questões relativas à Polícia Judiciária.”
O texto também diz que o advogado recebeu apoio da diretoria e aceitou os pedidos de desculpas de Rabelato. A nota, inclusive, traz um vídeo de Cléber Pinto e diz que Rollo, que é investigador da Polícia Civil, cogitou realizar a prisão em flagrante de Rabelato.
“O presidente Orlando Rollo, ainda na citada reunião, após ouvir atentamente ambas as versões, acenou por efetuar a prisão em flagrante e foi obstado pelo próprio Advogado ‘vítima’, o qual foi enfático em não desejar dar qualquer tipo de prosseguimento no caso”, afirma a nota.
“Reitera-se, por fim, que o crime de injúria racial tem natureza de ação penal condicionada à vontade da vítima.”