Judson. (Divulgação)

Com mais de 170 mil casos e 3440 mortes confirmadas, os Estados Unidos são o epicentro do covid-19, o novo coronavírus. A reportagem da rádio Banda B conversou com o volante Judson, ex-Avaí, que está atuando pelo San Jose Earthquakes, do estado da Califórnia, sobre a situação vivada por ele e pela sua família.

A vida não é mais a mesma e as mensagens recebidas hoje, são de órgãos responsáveis pela saúde e pela quarentena. “Eu moro no condado de Santa Clara, e recebo toda semana mensagens e e-mails de atualização sobre a quarentena, e tem várias regras. Por exemplo, no mercado, só posso comprar 2kg de carne, 2kg de frango, uma bandeja de ovo, um galão de água. A polícia tem verificado quem está na rua, multavam ou colocavam para voltar pra casa, a orientação é para sair apenas em casos emergenciais ou para fazer atividade física e também não podemos estar com mais de quatro pessoas junto. O ideal é fazer exercício com alguém que mora na sua casa ou sozinho. Em relação ao Brasil, entendemos a indecisão pois sabemos a dificuldade para as pessoas que são autônomas. Fico muito triste por ver a gravidade da situação do corona vírus mas entendo os dois lados, tem gente que precisa e que, infelizmente, se ficar em casa não vai ter a mesma quantidade de alimentos do que se tivesse trabalhando. Estamos torcendo para que os médicos e cientistas descubram o mais rápido possível uma cura para que possamos voltar ao normal, voltar ao nosso cotidiano”, torce o jogador de 26 anos.

Confira outros trechos da entrevista com Judson

A vida da família de Judson com a pandemia

“É uma situação complicada, ainda mais para quem está fora do Brasil. A Califórnia tem mais de 5 mil casos e onde eu moro, seguramente tem mais de 600. Temos respeitado muito a quarentena, saído bem pouco de casa. As minhas filhas ficam apenas no condomínio, eu e minha esposa vamos só no mercado para comprar o essencial e meu trabalho de corrida está sendo no condomínio, mas dura no máximo trinta minutos para já voltar para casa, tiro a roupa, tomo banho e evito contato para não contrair e nem transmitir para a minha família”.

Situação da MLS

“Iríamos para a terceira rodada da MLS e na semana que teve a paralisação, iríamos jogar na Filadélfia numa quinta-feira, fomos para o clube, fizemos todo o protocolo de viagem e no mesmo dia a liga tomou a decisão da paralisação dos jogos e dos treinos. A comissão técnica fez toda a programação de treinos para que pudéssemos seguir na medida do possível pela quarentena. Agora estamos aguardando os próximos capítulos, não sabemos como vai ser o restante da temporada, se vão alterar algo, se vai emendar para o próximo ano. Hoje, os Estados Unidos é o epicentro da pandemia, então é difícil saber o que vai acontecer”.

Retorno ao Brasil

“Não cogitamos a possibilidade de voltar ao Brasil. A liga emitiu uma nota para que não deixássemos o país por questões de prevenção e até por não saber se teria voo para todo mundo, porque a pandemia afetou o mundo inteiro. Eu até vi algumas passagens mas sou de Arês, uma cidade no interior do Rio Grande do Norte, é um lugar com possibilidade mínima de ter algum caso por ser muito pequena, e poderíamos levar o vírus para lá, muita coisa pesou, por isso decidimos ficar, cuidar da família e nos cuidar aqui”.

Opinião sobre o calendário brasileiro com a pandemia

“Eu tenho acompanhado muito as notícias do Brasil e não devemos fazer comparações. Um exemplo, aqui jogamos apenas dois campeonatos no ano, conseguem remanejar as competições e se voltarmos em junho podemos terminar em dezembro, eles tem mais de um mês para prorrogar a competição. No Brasil é complicado, os estaduais nem terminaram, o Brasileirão tem 38 rodadas, ainda tem Copa do Brasil, times que jogam Libertadores e Sul-Americana. Tenho visto algumas notícias de que estão antecipando as férias, e eu acredito que até pode terminar o ano futebolístico, mas acho que vai ser muito difícil”.