(Lucas Uebel/Grêmio)

Um item do protocolo de retomada do Campeonato Gaúcho ainda não foi debatido entre FGF (Federação Gaúcha de Futebol) e os clubes e tem gerado dor de cabeça aos dirigentes: concentração ininterrupta entre as partidas da reta final do Gauchão. A preocupação é o custo da medida de distanciamento para atletas, comissão técnica e funcionários dos 12 times.

A sugestão é manter todos os envolvidos nas rodadas finais em hotéis por uma semana. Grêmio e Inter podem chegar a duas semanas de confinamento e o Caxias, campeão do primeiro turno, tem chance de ficar até 22 dias isolado.

A medida causou boa impressão em autoridades estaduais, que analisam liberação dos jogos sem torcida. O entendimento do Palácio Piratini é que controlar o fluxo de jogadores e demais envolvidos é vital para minimizar risco de contágio do novo coronavírus.

O fardo, no entanto, é grande para os clubes do interior. A projeção é de despesas até três vezes maior com concentração de atletas por uma semana. Se houver classificação, os custos aumentam. Alguns dirigentes dos 10 times que jogam contra Grêmio e Inter cogitam pedir auxílio à FGF.

Grêmio e Internacional também sentem o impacto financeiro, mas já indicaram que topam os protocolos para retomar o Gauchão. A volta dos jogos também significa garantia de depósito da última parcela da cota de transmissão das partidas pela TV: cerca de R$ 3 milhões para cada um dos gigantes do Rio Grande do Sul.

“Não está no nosso cálculo isso, com certeza é um valor adicional expressivo para a realidade dos clubes do interior. Vamos ver como vai ficar o tema”, disse Paulo Cesar Santos, presidente do Caxias. “Ainda não falamos sobre essa parte do protocolo”, garantiu Ronaldo Vieira, presidente do Aimoré.

A projeção mais recente de volta do Campeonato Gaúcho estabelece 19 de julho como data da rodada recheada de clássicos. O Governo do Rio Grande do Sul deve sugerir retomada apenas em agosto, mas seguindo as ideias do protocolo da FGF.