Robson Gomes. (Divulgação/Coritiba)

Sem jogos no futebol brasileiro desde o dia 16 de março devido à pandemia do novo coronavírus, os clubes ainda não sabem quando vão entrar em campo novamente. Independente da data, o preparador físico Robson Gomes, que trabalhou em Athletico, Coritiba e Paraná, defende uma pré-temporada mais longa antes do retorno dos jogos.

“Se tivesse uma voz ativa no futebol, eu iria pregar um período maior de treinamentos. Se está em uma pré-temporada ou intertemporada, ele sempre vai fazer alguma coisa. Quando está em grupo tem uma dificuldade de concentração do atleta, imagina quando está sozinho. Conversei há pouco com amigos que estão na Alemanha, teve a reapresentação dos atletas e se apresentaram de dois em dois, três em três. Tem que ser progressivo o retorno para que tenha um efeito e recupere o lado do ser humano”, explicou Gomes.

De acordo com o preparador físico, o ideal seria uma nova pré-temporada de 30 dias. “O ideal era que fosse mais de 15 dias para uma readaptação de termos físicos, volta dos movimentos de futebol. Apesar de fazer os movimentos funcionais em casa, é muito diferente de trabalhar no esporte propriamente dito. As valências físicas são totalmente diferentes. O ideal seria 30 dias, com os atletas fazendo um trabalho de readequação física. Se faz uma pré-temporada, o atleta tem uma carga intensa, ele tem o departamento físico para recuperação. Hoje, tem que fazer um trabalho mais lento. O atleta pode ter um acumulo de ácido lático, por exemplo, e não vai suportar a atividade no dia seguinte”, comentou.

Gomes ainda destacou que se os campeonatos retornarem sem o tempo necessário de treinamento, vai aumentar o número de jogadores lesionados. “É um item que tenho uma preocupação muito grande. Se o campeonato começar imediatamente após a reapresentação, vai ser um campeonato de lesão. Fora isso, vai existir o receio social de cruzar com amigos, companheiros de dia a dia e adversários. Um exemplo é como vai fazer a recuperação dos atletas se alguém se machucar? Curitiba é uma cidade fria, ambientes de fisioterapia são normalmente mais fechados e terão que ter um distanciamento maior. Os profissionais vão ter que ter o mesmo cuidado dos profissionais nos hospitais. Os atletas voltando de lesão vão precisar de um cuidado maior e mais paciência também”, disse.