Regra das cinco substituições após a pandemia foi sugerida pela Fifa e será adotada pela CBF. (Geraldo Bubniak/AGB)

O retorno do futebol no Brasil ainda não tem data para acontecer, mas já existe uma preocupação por parte dos clubes em relação à condição física dos atletas. Uma das medidas sugeridas pela Fifa para evitar um aumento no número de lesões é a liberação para que cada equipe possa realizar cinco substituições por partida. A reportagem da Banda B conversou com especialistas que concordaram com a novidade.

De acordo com o chefe do departamento médico do Paraná, Mohty Domit, a medida será importante por questões físicas, mas pode atrapalhar o andamento do jogo. “Falando pelo lado do departamento médico, vai melhorar muito. Tem que ter mais indivíduos preparados e a comissão técnica é muito aguda para substituir. Eu temo que a gente comece a virar muito futebol americano com muita paralisação. O torcedor vai ter que ter um manual na mão. Estavam falando em Série B regionalizada, tem o ciclo do jogador com viagem, dormir em hotel que desgasta bastante. Precisa investir uma orientação assim. Essa regionalização, em termos médicos, seria muito interessante”, comentou.

“Toda medida que poupa a saúde do jogador é aprovada pelos médicos. Certamente, os elencos maiores e melhores terão mais chances. Aliviando a carga física, os jogos melhores preparados terão melhor desempenho. Tem outras medidas que estão sendo discutido de trauma craniano e pode sair para ser examinado e até voltar. Seria uma substituição temporária. Tudo que vem para a saúde do jogador é bom”, acrescentou.

O fisiologista Raul Osiecki também espera que não seja apenas uma sugestão da Fifa, mas uma imposição. “Cinco substituições é apenas uma sugestão da Fifa e deveria ser impositiva. A ideia talvez seja de poupar mais jogadores, ter um sistema imunitário mais protegido. Eu vejo que tem a necessidade de impor e tornar obrigatório que o clube faça cinco substituições. Isso é uma medida efetiva para preservar a saúde e condição de recuperação dos atletas. É uma posição mais coerente”, analisou.

Osiecki ainda comentou que as substituições não podem acontecer apenas nos minutos finais da partida. “Tem a situação de tirar o atleta aos 44 minutos do segundo tempo. A Fifa deveria falar que é obrigatório que haja cinco substituições para preservar a recuperação dos atletas e tem que ser feito no máximo até tantos minutos do segundo tempo. Isso precisa ser pensado logicamente. Essa é uma medida efetiva”, disse.

Já o ortopedista William Youssef reforçou a necessidade de um alinhamento entre todos os departamentos nos clubes para ajudar na prevenção de qualquer lesão. “Quando retornarem os jogos, vão ser verdadeiras maratonas para cumprir tabela e um jogo em cima do outro. Vai ter um desgaste muito grande dos atletas. Muitos atletas estão sendo orientados e fazendo um treinamento online. Claro que o treinamento ao vivo é muito mais eficaz”, opinou.

“Vai ser importante o alinhamento no retorno de todos os departamentos em busca de melhores resultados para os atletas. Eu, particularmente, acho muito importante. Vai ser um retorno dos campeonatos de forma inédita e nós nunca tínhamos visto uma volta como essa. As cinco substituições vão diminuir o número de lesões”, complementou.