Christiano Puppi (à esq.), diretor do departamento de futebol da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania (Divulgação)

O diretor do departamento de futebol da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Christiano Puppi, concedeu entrevista à Banda B para explicar como o governo federal está trabalhando para o retorno seguro do futebol em todo o Brasil e de que forma a Medida Provisória publicada na semana passada favorece aos clubes de futebol e aos jogadores.

Confira a entrevista com Christiano Puppi:

Como estão as conversas com a CBF para o retorno do futebol no Brasil? Acredita que já dá para voltar com o futebol em todo o país?

Diálogo da CBF com o governo federal é muito profícuo, nós temos um contato praticamente diário. Foi elaborado pela CBF um protocolo de excelência na segurança e no controle da pandemia e na possibilidade da retomada de jogos. Isso vem caminhando a contento, sugiram algumas observações e autorizações do próprio Ministério da Saúde. Entendemos que a retomada do futebol precisa atender algumas características próprias de cada estado, município, clube e federação. A região que estiver apta, que as autoridades públicas entendam que o protocolo resguarda a segurança dos atletas, vai ser feita a retomada sem nenhuma pressão externa. Tendo a vontade dos clubes e das federações, vendo que o momento é o correto, o futebol vai voltar no momento oportuno.

Qual a importância da MP que muda o tempo mínimo de contrato dos jogadores?

Importante ressaltar essa mudança da MP 984 para que o futebol fosse flexibilizado neste ponto até o final do ano e os contratos seguissem, em prazo mínimo, de um mês. É uma medida para que os clubes pequenos, em fase final de estadual, consigam cumprir com suas obrigações e as competições se encerrem. É também para que atletas retornem aos clubes e exerçam suas atividades para que depois do campeonato, até pela visibilidade adquirida nesta reta final, ir para outra agremiação.

A Lei Pelé pode ser modificada também relação à regulamentação dos direitos econômicos dos jogadores?

Não só na questão dos direitos econômicos, mas em várias situações precisa ser aperfeiçoada. Os clubes fizeram várias indicações para melhorias da Lei Pelé. É bom ressaltar que a lei foi criada em 1998, teve uma adequação em 2003, mas teve um vácuo legal que várias dúvidas foram para a justiça e não tem a mínima de segurança jurídica no esporte. É necessário com as novas mídias e os novos esportes que se tenha uma adequação ampla para todos que trabalham no esporte e todas as entidades organizadoras do evento. Estamos trabalhando nesta questão.

O futebol amador é forte em todo o Brasil, mas principalmente no Paraná. Os clubes amadores vão ser ajudados de alguma forma?

O futebol amador é forte no Paraná e a gente, em Brasília, tem um carinho com o futebol amador, com o amadorismo como um todo. A gente pretende fazer algumas modificações na Lei Pelé desde a mais conceitual até as questões que permitam um fomento maior dos clubes amadores para que continuem alegrando a comunidade que fazem parte. A gente precisa preservar essa tradição do futebol amador. É algo que vamos propor algumas modificações e temos todo o carinho com o futebol amador.