Adilson encerrou a carreira por problema cardíaco (Bruno Cantini/Atlético-MG)

Com lágrimas nos olhos, o volante Adilson, de 32 anos, anunciou a sua aposentadoria dos gramados, na tarde desta sexta-feira (12), em entrevista coletiva na Cidade do Galo. O jogador do Atlético-MG foi diagnosticado com cardiomiopatia hipertrófica, uma doença cardíaca grave, e a decisão pelo fim da carreira foi em conjunto com o corpo médico da equipe mineira.

Ao lado do médico do clube, Rodrigo Lasmar, do diretor de futebol, Rui Costa, e assistido pelos companheiros, o meio-campista comunicou a decisão por se aposentar.

“Não preparei nada em especial, só vim agradecer por todo suporte do departamento médico do Atlético, diretoria e presidente. Agradecer à rapaziada que está aqui, é isso que me fortalece. Já que estou nessa condição, é isso que gostaria de receber. Então eu realmente agradeço a todos vocês por tudo que têm feito, não só por esse momento, mas por tudo que passamos nos últimos anos”, afirmou o volante.

Emocionado, Adilson disse estar bem com o que tem vivido, exaltou a chegada da sua filha e pediu cuidado da mídia com a situação. “Queria dizer que, antes de tudo, estou bem. Não tive nenhuma reação física neste processo todo. Sempre estive bem, me preparando no dia a dia. Só tenho a agradecer, tudo tem sido maravilhoso na vida pessoal e esportivo. A minha filha vai nascer dia 22, tenho muitos motivos para seguir, para ser feliz. Só queria pedir a todos, principalmente a imprensa, que respeitassem esse momento e tivessem todo o cuidado no momento de tratar essa situação”.

Adilson foi diagnosticado com o problema cardíaco durante a pausa para a Copa América. O atleta foi submetido a exames de rotina pelo Atlético-MG e, após o resultado, foi afastado imediatamente da intertemporada.

“Fizemos uma avaliação agora no meio do ano, que caracterizou e identificou uma cardiomiopatia, uma doença cardíaca que o impede de seguir como atleta profissional de futebol. Isso foi estabelecido e, a partir deste momento, nossos primeiros cuidados foi discutir com o próprio médico pessoal do atleta e também com um terceiro profissional, para discutir o diagnóstico e a conduta a ser tomada. Houve uma unanimidade, que decidiu por abreviar, do ponto de vista da continuidade, a carreira do Adilson como atleta de futebol”, explicou o médico Rodrigo Lasmar, do Atlético-MG e também da Seleção Brasileira.

Criado nas categorias de base do Grêmio, clube que defendeu de 2005 a 2011, o volante chegou ao Galo em 2017, após seis temporadas vestindo a camisa do Terek Grozny, da Rússia. No clube, Adilson disputou 97 partidas e marcou dois gols.

De acordo com a diretoria do Atlético-MG, a intenção é que o agora ex-atleta exerça outras funções no clube. “O que posso dizer é que a questão contratual é secundária. Nunca nos preocupamos com quanto ele vai receber, quanto vai deixar de receber. A recomendação que tive do presidente Sérgio Sette Câmara é que o nosso cuidado fosse com o ser humano Adilson. Ele vai estar aqui conosco por opção dele e por um pedido nosso. Vai experimentar essa nova fase e depois vai perceber se vai querer trabalhar na comissão técnica, gestão ou ficar trabalhando com o pessoal. O que não abrimos mão é do Adilson no dia a dia aqui”, disse o diretor de futebol Rui Costa.

A doença

A cardiomiopatia hipertrófica já causou um desastre histórico no futebol brasileiro. A doença foi a causa da morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, durante jogo contra o São Paulo, no Morumbi, em outubro de 2004, pelo Brasileirão. Na ocasião, o atleta passou mal no gramado durante a partida e não resistiu.