(Divulgação/Coritiba)

O campeonato do Bahrein também está paralisado para evitar a propagação maior do COVID-19. A Banda B conversou com o meia Tiago Real, ex-Coritiba, que está atuando pelo Al-Muharraq, sobre a situação do país do Oriente Médio. O jogador de 31 anos pediu um bom senso para os mandatários do futebol brasileiro para que o calendário não seja mantido da mesma forma como conhecemos.

Desde o ano passado no Bahrein, Tiago acha que o principal ponto é o pensamento na saúde do atleta, que não poderá se adaptar ao calendário, caso não existam mudanças. “Eu acho que sim (necessária a mudança da fórmula do Brasileiro), principalmente neste ano, ou vão ter que optar por abrir mão de algum campeonato porque não existe em calendário. Em 2014, joguei o final do Campeonato Brasileiro pelo Náutico e encavalou alguns jogos, jogamos três partidas com um intervalo mínimo, e eu acho que isso pode acontecer se não abrir mão de algum torneio ou o formato. Tem muita coisa que envolve mas não podemos esquecer da saúde do atleta. É comprovado cientificamente que o atleta está mais cansado 48h após a partida, e aí no dia que a pessoa está mais cansada vai ter que jogar de novo? Não tem como espremer todos os campeonatos no mesmo formato. Tem que abrir mão de alguma coisa, quem sabe dos estaduais que teoricamente são menos importantes. As pessoas tem que colocar a mão na consciência e desenhar o melhor num todo, não pensando só em negócio, mas pensando também na saúde dos jogadores”, comentou.

Dono da Planner Sports, empresa especializada em assessoria integrada para atletas profissionais de futebol, Tiago Real falou sobre a atuação neste momento de pandemia e outros assuntos. Confira:

Situação no Bahrein

“Eu estou em quarentena também, mas aqui está um pouco mais flexível. O campeonato parou, volta só em junho, pararam as escolas, alguns restaurantes e várias outras coisas, mas estamos conseguindo ter uma vida mais tranquila. Tomando cuidados necessários, é claro, mas estamos podendo ir na rua, levar as crianças brincar nos parques. O rei aqui, até uma semana atrás, ele estava falando que estava tudo sob controle, não tinha fechado nada, mas agora decretou quarentena até o próximo dia 9”.

Campeonato do Bahrein

“A federação decidiu que o retorno do campeonato será apenas em junho, e obviamente vão ter reuniões para confirmar se será nesta data. O meu clube (Al-Muharraq) está conversando com a federação sobre questões contratuais, questões salariais. Existe um grande impasse porque estamos no final da temporada, terminaria no final de maio, e vai ser esticada até julho. Tem gente que tem contrato até maio, e como vai fazer em junho e julho? Isso está sendo bem discutido como em vários outros lugares no mundo”.

Redução salarial

“Aqui, a federação é bem unida e parceira dos clubes, tenho notado isso. Eles estão ainda discutindo tudo isso, não tem uma regra de redução salarial, e eles estavam aguardando uma posição da FIFA para definir com todos os clubes. Estamos recebendo normal mas obviamente deve ter algum acordo, provavelmente vão conversar individualmente com cada jogador”

Atuação da Planner Sports

“Seguimos com a empresa, estamos há dois anos. Chegamos a marca de 250 atletas, era a nossa meta para novembro e atingimos seis meses antes. Ela continua fazendo diferença para os atletas, estamos ajudando em questões possíveis e até impossíveis”.

“Obviamente é uma situação muito complicada e triste o que estamos passando, mas quando o atleta tem esse choque de realidade, ele começa a pensar diferente, até na questão financeira. Por exemplo, um atleta que tem um gasto muito alto de vida e o clube quer fazer uma redução salarial. Será que este jogador está preparado para uma redução? A própria questão de vida, em questão de seguro. Atletas são referências para a família e se acontecer algo? Como será a família? Neste momento, alguns serviços nossos estão sendo até mais procurados. Existe muita demanda de mudança de imóvel, devolução de imóvel. Eu estou aqui no Bahrein e não consigo fazer muita coisa, mas a empresa tem trabalhado bastante”.

Volta ao Brasil durante a pandemia

“Não pensei em voltar para o Brasil, sinceramente. Meu planejamento era voltar só em junho, seria meu primeiro mês em férias, a minha filha estava estudando e o campeonato terminaria só em maio. Agora, com a pausa do campeonato e toda a questão do vírus, achei melhor não ter uma exposição em aeroporto, em vôos. Conversei com a minha esposa e achei melhor permanecer por aqui, porque voltar para o Brasil pra ficar trancado também não é bom. Temos dois filhos, estamos pensando no que é melhor, e seguimos torcendo para as coisas melhorar”.