Foto: Divulgação/Bayern FC

A rescisão do contrato de TV do Estadual do Rio de Janeiro, feita de forma unilateral pelo Grupo Globo e motivada pela transmissão de um jogo do Flamengo nos canais particulares do clube, alimentou ainda mais a discussão sobre a atuação dos diferentes participantes no mercado de direitos de transmissão no país.

A Medida Provisória 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em junho, dá ao mandante dos jogos a liberdade de comercializar individualmente sua transmissão. Por isso, o Flamengo exibiu as partidas diante do Boavista, no último dia 1º, e contra o Volta Redonda, dia 5, pela FlaTV, seu canal no YouTube.

Já a Globo entende que a ação flamenguista configurou uma quebra do contrato, celebrado antes da edição da MP. Apesar de não ter acordo com o Flamengo, a emissora tinha vínculo com a federação do Rio de Janeiro e os outros 11 clubes participantes da competição antes de rescindi-lo.

O futebol brasileiro ainda opera, na maior parte do mercado, com um modelo mais tradicional de exibição, em que os contratos são geralmente fechados com emissoras de televisão.

Para o Campeonato Brasileiro, por exemplo, há duas detentoras dos direitos: a Globo, que além da TV aberta transmite no SporTV (TV fechada), no GloboEsporte.com (internet) e no Premiere (pay-per-view e streaming), e a Turner, que transmite o torneio no canal a cabo TNT. No mercado europeu das grandes ligas, a transmissão dos jogos dos campeonatos nacionais está mais pulverizada e com empresas nativas do streaming.

A Bundesliga atualmente tem quatro veículos de mídia que detêm os direitos de transmissão para o território nacional: a Sky Deutschland (TV a cabo), o DAZN (streaming), o ZDF (emissora público) e o Amazon Prime Video (streaming) -este último comprou algumas partidas avulsas da liga após o retorno da paralisação.

O atual contrato com a Bundesliga vai até 2020/2021. O novo vínculo, válido para as quatro temporadas seguintes, já foi assinado por 4,4 bilhões de euros (R$ 26 bilhões), uma redução de aproximadamente 200 milhões de euros (R$ 1,2 bilhões) para o contrato anterior.

Na nova configuração, a competição terá três parceiros de mídia: a Sky Deutschland, que exibirá 200 jogos aos sábados, dia em que acontecem os principais duelos da rodada, o DAZN, que adquiriu os direitos para 106 partidas às sextas e domingos, e o canal ProSiebenSat.1, que poderá transmitir até nove partidas ao vivo da temporada.

Assim como a Bundesliga, a Premier League também possui quatro veículos detentores dos direitos de transmissão: a Sky Sports (TV a cabo), a BT Sport (TV a cabo), o Amazon Prime Video (streaming) e a BBC (emissora pública).

A Sky Sports tem direito a 128 partidas do Campeonato Inglês, enquanto o BT Sports pode exibir até 52 jogos ao vivo. O streaming da Amazon, cujo contrato foi assinado para a atual temporada e valerá até 2021/2022, ganhou o direito de transmitir 20 jogos.

Contudo, a volta da liga com portões fechados durante a pandemia deu ao Amazon Prime Video a possibilidade de exibir mais partidas do que o contrato previa. Quem também se beneficiou dessa ação da Premier League foi a BBC, que nunca havia transmitido jogos ao vivo desde que o torneio adquiriu o formato atual, em 1992. A emissora pública obteve os direitos de apenas quatro partidas do Inglês até o fim da temporada.

Já no Campeonato Espanhol, apesar de os direitos serem divididos em três parceiros de mídia, o modelo é mais tradicional. Isso porque tanto o Movistar+, como o Orange TV e o Mitele Plus são canais de TV a cabo. França e Itália têm mercados mais restritos. No caso do mercado italiano, inclusive, há problemas com as detentoras dos direitos de transmissão por conta da pandemia.

A Ligue 1, primeira divisão do Campeonato Francês, tinha até o encerramento da temporada dois parceiros de mídia: o Canal Plus e o BeIN Sports. A partir da próxima temporada, o grupo espanhol Mediapro, que se uniu com o canal francês TF1, passará a ser o principal integrante do mercado nacional, com direito a 80% dos jogos da liga.

O contrato com o Mediapro foi assinado ainda em 2018 no valor de 1,1 bilhão de euros (R$ 6,6 milhões em valores atuais) por temporada.

No futebol italiano, também há dois detentores dos direitos de transmissão para o mercado local: a Sky Italia (TV paga), que paga 780 milhões de euros (R$ 4,7 bilhões) por temporada e pode exibir sete partidas a cada rodada, e o DAZN (streaming), que paga 193 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) por temporada e tem direito aos outros três jogos.
Os dois contratos se encerram ao final da temporada 2020/2021. Tanto o DAZN como a Sky Italia não repassaram os valores dos direitos locais correspondentes ao mês de maio, quando a Serie A ainda estava paralisada.

O serviço de streaming chegou a um acordo com a liga, mas, segundo o jornal italiano La Repubblica, a Sky recebeu um ultimato para que seja feito o pagamento de 131 milhões de euros (R$ 793 milhões) até o próximo dia 12, sob o risco de a liga interromper a transmissão do sinal à emissora, o que causaria um apagão de sete partidas em cada rodada do Italiano.