No final de fevereiro, o atacante Vinícius Júnior, craque e astro do Real Madrid, foi, mais uma vez, vítima de insultos racistas. Mesmo com campanhas de conscientização, as ocorrências contra jogadores diversos seguem em evidência.
⚽Confira a tabela completa do Brasileirão e os jogos das próximas rodadas!
No Paraná não é diferente. Nos últimos anos, o estado tem sido palco de atos racistas nas mais diferentes esferas esportivas. De acordo com dados disponibilizados pela Delegacia Nível de Atendimento a Futebol e Eventos (DEMAFE), entre 2021 e 2025 foram registrados e apurados oito casos de racismo em jogos de futebol em Curitiba. Neste ano, a cidade já registrou dois casos.
De todos, o caso que mais chamou a atenção foi cometido no dia 25 de janeiro, no Couto Pereira. No clássico entre Coritiba e Athletico, um empate em 0x0 teve como pano de fundo uma briga generalizada entre integrantes das duas delegações e um episódio racista de um torcedor de 18 anos, do Coxa, contra o zagueiro Léo, do Furacão.
+ Siga nosso canal no YouTube! O Esporte Banda B tá on!
As ofensas do jovem contra o atleta ocorreram na reta final do primeiro tempo da partida. Após ser expulso, Léo passava em frente a um setor destinado para torcedores coxas-brancas quando ouviu o insulto racista. Após denunciar o caso, viu clubes, companheiros de profissão e a sociedade o defenderem e, mais uma vez, atacar a questão do racismo. Porém, pouco mais de um ano depois do ocorrido, muito pouco se descobriu ou se sabe sobre o paradeiro do jovem que, atualmente, tem 19 anos.
Proteção à integridade do agressor
A reportagem buscou, junto ao Ministério Público do Paraná, um paradeiro sobre a atual situação do rapaz. De acordo com o MPPR, ele será julgado no dia 5 de novembro deste ano. Ainda que seja maior de idade (ele havia recém completados 18 anos no momento do ato racista), ele jamais teve o nome divulgado pelas autoridades.
+ Confira todas as notícias do futebol paranaense na Banda B!
O delegado Luiz Carlos de Oliveira, que trabalha na DEMAFE desde o início da década de 1990, admitiu que o caso que envolve o zagueiro do Athletico é emblemático. Ele também explicou o motivo de as autoridades não terem divulgado a identidade do criminoso, mesmo que ele já fosse maior de idade.
“Temos outros casos bem emblemáticos, mas esse, do Léo, é bem marcante, sim. Foram muitas agressões verbais, além das raciais. Esse menino fez aniversário de 18 anos poucos dias antes desse jogo. Ele foi responsabilizado, os amigos dele que estavam com ele no momento do ato foram ouvidos como testemunhas. Não o apresentamos para a imprensa e para a sociedade pois ninguém seria capaz de dar segurança para ele, exatamente pelo calor público que se teve na época”, justificou.
Apoio dos clubes contra o racismo
Questionado se os clubes da capital paranaense estão prontos para lidar com casos de racismo nos estádios, o delegado foi enfático na resposta.
“Os casos estão muito acima da expectativa em nível de ocorrência. A gente abomina essas práticas racistas. Queremos agradecer aos clubes de Curitiba (Athletico, Coritiba e Paraná) que, sempre que possível, nos forneceram essas imagens para que nós pudéssemos identificar essas pessoas. As instituições estão preparadas para lidar com o racismo e estão se preparando ainda mais, porque, todas as vezes que precisamos dessas imagens, as recebemos. A gente consegue identificar todos”, destacou Luiz Carlos.
Caso em Ponta Grossa teve prisão em flagrante
Além deste caso racista, outros episódios foram registrados no futebol paranaense em 2025. Na Série B, a vitória do Operário sobre o América-MG foi marcada pela denúncia de um ato racista do boliviano Miguelito contra Allano, na época jogador do Fantasma. O atleta do time mineiro chegou a ser preso em flagrante. Solto e posteriormente suspenso por cinco partidas pelo STJD, já voltou a atuar. Hoje, Miguelito joga no Santos.

📲 Não perca nenhuma notícia! Siga o Instagram da Banda B e receba as atualizações direto no seu feed. Clique aqui!