Dona dos naming rigths da Arena da Baixada, estádio do Athletico, e também estampando sua marca na camisa do Coritiba, a Ligga entrou de vez no mercado do futebol. Um projeto que saiu do papel apenas em 2023, mas que já vinha sendo estudado antes mesmo de surgir a marca, que antes era Copel Telecom.
De acordo com o presidente da Ligga, Adedoato Volpi Netto, as conversas com o Furacão começaram ainda em 2021, mas antes de chegar a um acordo, era preciso fortalecer a marca, que passou por um processo de privatização e somente no ano passado se consolidou no mercado.
“Quando vimos que estávamos seguros como negócio, era hora de sentar e discutir. Isso começou em novembro do ano passado e tivemos que tomar uma decisão bilateral, para sabermos se estávamos prontos para um projeto de longo prazo. E os dois lados abriram mão de benefícios a curto prazo. São marcas com relação profunda com o nosso Estado, com objetivos maiores, e acabou convergindo“, afirmou ele, em entrevista ao podcast De Letra.
Ganhos e perdas na parceria com o Athletico
O principal objetivo da Ligga, segundo Volpi Netto, não é o ganho a curto prazo, mas sim no final do projeto, que foi assinado por dez anos. Para ele, fortalecer a marca é mais importante do que pensar em quantos assinantes podem ganhar ao promover o nome de um estádio.
“Tinha que ter desenvolvimento, ser parceiro com a instituição. Não é só o nome exposto. Na hora que eu penso o que ganho diretamente, eu limito o meu horizonte. A pergunta que tem que ser feita é o que eu quero construir com uma parceria como essa. É uma relação estabelecida com o Athletico, mas que tem o objetivo de melhorar a relação da Ligga com a sociedade. Temos vários modelos de projeto e desenvolvimento. A gente leva a conectividade para 99% das escolas públicas rurais do Estado. Se eu conseguir dar aula para crianças lá, dar aulas de futebol, eu estou desenvolvendo um pequeno município, gero riqueza ali e, com isso, meu mercado consumidor aumenta”, explicou.
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Entre as estratégias de mercado da empresa com o Furacão, está usar o estádio como um espaço para testes em novas tecnologias ao longo dos anos soluções para o mercado. Seguindo modelos que acontecem na Europa e nos Estados Unidos.
“Nós olhamos lá fora em múltiplas frentes. Não só no futebol, mas em marcas e arenas multi-eventos. O Athletico, historicamente, circulou pela Europa inteira. A primeira Arena, de 1999, lembrava o Old Trafford. Então olhar e tentar construir uma história diferente, fora de um movimento tradicional, tentar trazer um valor usando uma associação virtuosa, com gestão profissional em um ciclo longo. Olhamos alguns cases lá de fora e entendemos como elas foram, em seus mundos, se ajustando“, disse o presidente.
Acordo com o Coritiba
Pouco tempo depois, a Ligga anunciou que seria a nova patrocinadora do Coritiba, estampando seu nome na camisa do time. Uma empresa estar ligada aos dois maiores rivais do Estado não é novidade, mas a forma como o projeto se desenhou uniu, indiretamente, os dois clubes.
“Sempre deixei claro que era o nosso objetivo apoiar o futebol paranaense a partir das duas principais marcas. E como o futebol é um negócio, eles sempre viram isso com bons olhos. Então não só não houve empecilhos, como foi tudo muito bem alinhado, caso a caso. Eu poderia atuar na base das torcidas, por serem planos de médio/longo prazo e que hoje eu sequer enxergo uma fração do que posso alcançar. Construímos juntos as oportunidades, com reuniões semanais e ver o que está acontecendo e pensar como podemos apoiar o time sub-17, por exemplo. Muitas coisas podem ser exploradas”, ontou Adeodato.
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Nem mesmo o momento ruim do Coxa dentro de campo, lutando contra o rebaixamento, fez a empresa desistir. Pelo contrário. Foi mais um motivo para acreditar no potencial de estampar seu nome no uniforme alviverde.
“Estamos vendo o movimento de profissionalização do Coritiba, de buscar resgatar o nome. Fiz a mesma coisa com o Coritiba, buscando um negócio de parceria e desenvolvimento a longo prazo. Várias pessoas me questionaram pelo fato de o time estar mal, mas é muito mais que a tabela do campeonato, isso é o que faz a menor diferença”, destacou ele.
“É impossível não dizer que não imaginamos a hipótese de o Coritiba ser rebaixado, mas ele não é um clube de segunda divisão. Então apoiá-lo em um momento difícil é um atributo de marca importante. Mas temos que olhar e acreditar no desenvolvimento do clube”, completou.