Última parte da trilogia sobre o 2015 do Trio de Ferro e o que esperar para 2016. Hoje o papo é sobre o Furacão. No ano passado o Atlético/PR bateu recorde de atitudes equivocadas em seu futebol. Planejamento rasgado logo no início da temporada para atender a caprichos do presidente. Com isso, técnicos capacitados demitidos. Opção por se privilegiar a Copa Sul-Americana em detrimento ao Brasileirão, onde o clube brigava entre os cinco primeiros. Enfim, quase que somente erros que não poderão se repetir em 2016.

O ano de 2015 começou com o planejamento parecido ao dos anos anteriores: a equipe principal excursionaria pela Europa, retornaria com tempo suficiente para concluir a pré-temporada e iniciar as competições oficiais em abril, na Copa do Brasil. Enquanto isso a equipe sub-23 disputaria o Paranaense. Isso durou apenas dois meses.

Assim que retornou da Europa, o time principal comandado pelo técnico Claudinei Oliveira (que havia feito excelente campanha no Brasileirão de 2014) teve um período de quatro dias de descanso e iniciou a pré-temporada real, já que durante a excursão jogou nove partidas em 24 dias e praticamente não treinou. Tempo suficiente, já que a estreia na Copa do Brasil só aconteceria após mais de 20 dias. Porém, no terceiro dia de trabalho, a equipe principal recebeu a ordem de concentrar e jogar no dia seguinte pelo Paranaense, contra o Foz do Iguaçu. Retaliação de Petráglia ao presidente do Foz, pelo fato deste apoiar o atual presidente da Federação Paranaense de Futebol na busca por sua reeleição.

O tiro saiu pela culatra. Com os jogadores totalmente despreparados, o Furacão foi derrotado pelo Foz, num vexame enorme. Não satisfeito com a besteira já feita, o então presidente rubro-negro deu ordem para que a equipe principal passasse a jogar as partidas do Paranaense. Mesmo sem condições físicas para tal.

Resultado:  campanha pífia, dois técnicos demitidos (Claudinei, e posteriormente Enderson Moreira, contratado e demitido em menos de 45 dias), clube passando o vexame de disputar o Torneio da Morte, no Estadual. Tudo para justificar uma ideia absurda do então mandatário maior. Fica uma pergunta: Por onde andava o tal departamento de inteligência do clube, tão elogiado pela diretoria, como exemplo para o Brasil, que permitiu tal atitude, mesmo sendo um absurdo fisiológico, um crime contra os próprios atletas? Respondo: pipocou, pois preferiu se omitir a contrariar o presidente. Faltou inteligência. Ou coragem.

Na sequência do ano, após um período onde pode se preparar melhor, o grupo deu resposta positiva, e chegou a liderar o Brasileirão. No entanto, lá pelo meio do certame, quando brigava diretamente pelo G4 – e consequente vaga na Libertadores 2016 – veio a ordem presidencial, de se priorizar a Copa Sul-Americana (ainda em fase inicial) e deixar em segundo plano o Brasileirão. Notícia confirmada pelo próprio clube, com a justificativa de que seria mais fácil se chegar à Libertadores pela competição continental. Resultado: a equipe descambou no Brasileirão e sequer chegou à semifinal da Sul-Americana.

Como saldo positivo desse desastroso ano, fica a contratação do competente técnico Cristóvão Borges. Com liberdade e autonomia para trabalhar, ajudará muito o Furacão na temporada 2016. Sabe muito. E o esqueleto da equipe principal, mantido para esse ano:  Wéverton (talvez o melhor goleiro do Brasil na atualidade); Otávio, Marcos Guilherme, Nikão e Wálter. Bela estrutura, que recheada com mais alguns atletas de qualidade podem fazer uma equipe muito competitiva para as competições de 2016. Dos novos que chegaram, destaco o meia Vinícius (formado na base do Paraná Clube). Se repetir os bons momentos vividos no Fluminense, pode ser o meia que falta para esse engrenagem funcionar melhor.

Que a recém eleita diretoria dirija melhor; que o setor de inteligência seja mais inteligente e menos omisso; e que o futebol fique para os que são do futebol. Aí as coisas andarão bem.