E oficialmente abrimos hoje o ano de 2016. Para o futebol paranaense um ano de esperança em dias melhores. Em que pese o excelente desempenho de Operário – campeão paranaense e com marcante campanha na Série D – e Londrina, que subiu à Série B do Brasileirão, o Trio de Ferro teve desempenho bisonho. 2015 foi um dos anos mais confusos e turbulentos na história do trio. Vamos fazer uma análise em três partes. A trilogia começa com o ano Coxa.

O Coritiba começou 2015 com nova diretoria. A chapa “Coxa Maior” venceu as eleições com promessas de profissionalização do clube e transparência nas ações do novo grupo de comando. No futebol, os comandantes alardearam um novo momento, com priorização aos atletas formados na base do clube, e a montagem de um time competitivo, que não repetisse as pífias campanhas dos Brasileiros dos últimos anos. Pura ilusão.

Em menos de dois meses, perdeu três dos principais pilares da campanha: o vice Ricardo Guerra e o professor João Paulo Medina, responsável pela elaboração do projeto de gestão do triênio que se iniciava, renunciaram, alegando incompatibilidade de ideias com alguns membros do G5 Coxa. Em seguida o diretor Maurício Cardoso se demitiu, demonstrando a total falta de sintonia entre os membros do departamento de futebol.

Após seis meses desastrosos, as diversas contratações erradas e uma armação orquestrada por supostos “colegas” de diretoria causaram a renúncia do vice de futebol Ernesto Pedroso. O escândalo dos “Surfistas Indomáveis”, grupo do Whats App, que contava com a participação de altos dirigentes do clube – inclusive o primerio vice, Macias – e funcionários do alto escalão, mostrou, entre outras barbaridades, um claro complô, que forçou Pedroso a renunciar. E com o escândalo, Macias e seus Surfistas foram afastados do clube. Com tudo isso o resultado não poderia ter sido outro: perda do título regional para o Operário, em pleno Couto Pereira, e um Brasileirão inteiro na zona de rebaixamento, com a salvação vindo apenas na última rodada. Três técnicos, mais de 60 jogadores e muito dinheiro jogado fora foi o saldo de 2015.

De positivo, o surgimento dos zagueiros Walyson Maia e Juninho, ambos da base, que entraram no time na segunda metade da competição e “arrumaram a cozinha”. Justo destacar também a excelente atuação do goleiro Wilson, que chegou também no meio do campeonato e já se candidata a ídolo da galera. Fechou o gol e foi fundamental para a manutenção na Série A.

Para 2016 todos imaginavam que Pachequinho, técnico das últimas cinco rodadas e grande responsável pela reviravolta e permanência na elite, seria confirmado como comandante do Coxa, para 2016. Mesmo com a torcida – e quase a unanimidade da imprensa esportiva – apoiando a confirmação do ídolo Pachequinho, a direção do clube pensou diferente e resolveu mudar. Mais um erro, pois a hora era do Pacheco.

Boa notícia foi a escolha do novo técnico e sua comissão. Gilson Kleina será o treinador, com o professor Robson Gomes na preparação física. Ambos são curitibanos e iniciaram suas carreiras profissionais no próprio Coritiba. Kleina vem fazendo bons trabalhos em sua carreira, e tem mais de 20 anos de experiência em grandes clubes, inclusive fora do Brasil. Robson é um dos melhores preparadores físicos do futebol brasileiro. Competente e multicampeão, já foi o responsável da área no Coritiba, nas vitoriosas campanhas do início dos anos 2000. E já trabalhou em clubes e seleções do exterior. Como Pachequinho será um dos auxiliares a comissão acaba sendo composta, quase que na totalidade, por pessoas identificadas e ligadas ao clube e à cidade. Bom sinal. Esperança de novos dias.

No entanto, a primeira contratação do diretor de futebol Valdir Barbosa para a temporada 2016 causou perplexidade e desconfiança no futuro do futebol. O lateral direito Ceará, que já passou pelo Coxa, veio do Cruzeiro (antigo clube de Valdir). Não faço pré-julgamento sobre a capacidade do atleta. Para isso prefiro vê-lo em ação dentro de campo. Mas apostar em um lateral que quase não jogou em 2015, por ter sofrido várias lesões; com bem mais de 30 anos; e com salários acima da casa dos R$ 100 mil reais (segundo informações internas do próprio clube), é no mínimo temeroso. Espero que o tempo me mostre o contrário.

A torcida espera um 2016 completamente diferente para o Coritiba. Cabe ao presidente Bacellar e seus colaboradores mostrarem que de fato veremos um “Coxa Maior”. Na administração, na transparência, e acima de tudo, dentro de campo.