Por Serginho Prestes

Nos dias de hoje muito se ouve falar da modernização do futebol. Em rodas de profissionais da bola, atletas, dirigentes, técnicos, ou entre torcedores, aqueles de arquibancada, de botequim, ou da nova espécie dos torcedores das redes sociais, se difundiu o conceito do futebol moderno. Fico a me perguntar: mas que raios seria esse tal de futebol moderno?

Penso nas variantes táticas do jogo. No Brasil, de uns tempos para cá (infelizmente um tempo já meio longo pro meu gosto), mais se copia o jeito europeu de se fazer futebol do que se impõe o formato brasileiro, que revolucionou o esporte no mundo, e fez com que os próprios europeus buscassem novas saídas. Vamos nos deter nos esquemas táticos da moda: o 4-2-3-1, o preferido dos últimos 10 anos, e o  4-1-4-1, recém-chegado da Europa.

Aí eu me pergunto: isso é a novidade? Isso é a modernidade?  Para mim isso é cópia do que se faz lá fora. E muitas vezes mal feita. Por vezes, tenta se moldar os atletas a certos esquemas, sem respeitar as características técnicas e físicas. Que se vire o jogador que é lento e habilidoso, por exemplo. Se for escalado pelos lados do campo e seu oponente for forte e veloz, ele que arrume um jeito de marcar esse cara. Nem que desmaie. Se for possível, com o que lhe sobra de energia, ele poderá realizar um passe bom para um companheiro, um drible, quem sabe (mas isso já é querer demais, já está quase extinto), ou até um gol.

Quando ouço falar na tal modernidade, lembro (ficando apenas no âmbito local), de Edu Coimbra. Que em 1989 inventou uma equipe sem volantes natos. Com a linha tradicional de quatro defensores; um volante à frente dessa linha, o Osvaldo; à frente desse, uma linha de quatro jogadores, Carlos Alberto Dias, Serginho, Tostão e Kazú; e a frente destes, o centroavante Chicão. Marcou época essa equipe. Alguma diferença do 4-1-4-1 atual? Somente a técnica mais apurada e o físico bem menos desenvolvido.

Usando a mesma equipe como referência, mais perto dos jogos decisivos daquele longínquo 1989, o mesmo Eduzinho (antiquado, para os moldes atuais) lançou mão da mesma linha de quatro defensores, e colocou Marildo, ao lado do “volante” Osvaldo; mais a frente, uma linha de três jogadores, Carlos Alberto Dias, Tostão e Serginho; e o Chicão lá na frente. No que difere do atual 4-2-3-1?

Se formos buscando exemplos encontraremos diversos, que comprovam que a modernidade é bem mais antiga do que se pensa. O que de fato mudou radicalmente foi a condição física dos atletas. Muito em razão da maior capacitação científica dos profissionais da área e do melhor aparelhamento dos locais de treinamento dos clubes. Infelizmente, esse avanço na parte física veio em detrimento à parte técnica dos jogadores. Fenômeno que não vemos no basquete, por exemplo.

Em uma analogia do futebol moderno com uma orquestra sinfônica, seria como se os músicos da orquestra atual soubessem ler e escrever partituras com muita velocidade e precisão; fossem “experts” em harmonização e teoria; tivessem memorizadas as milhares de melodias dos principais compositores mundiais. Mas executassem mal o seu instrumento. A sinfonia não soaria lá muito bem aos ouvidos da plateia. Mas como a plateia já não ouve nada muito melhor em outro lugar, bastaria dizer que isso é a “Música Moderna”.

Por Serginho Prestes