A confusa “desexpulsão” do lateral esquerdo Egídio, do Palmeiras, no último domingo, na partida contra a Chapecoense, em Chapecó, mostra bem o quão atrapalhada anda a nossa arbitragem. O árbitro Jaílson Macedo Freitas expulsou de campo o atleta e depois de insistentes observações do 4º árbitro e de seu auxiliar, voltou atrás, mandando chamar Egídio, que já estava nos vestiários, para retornar ao jogo.

O ex-árbitro Paulo César de Oliveira, comentarista de arbitragem da rede Globo, considerou “esquisita” a ação. Quase cinco minutos se passaram entre a suposta infração e o perdão a Egídio. Mesmo considerando que de fato o lance não mereceria expulsão e sequer a marcação de falta, PC Oliveira afirma que a demora gera desconfiança.

E gera mesmo. Nesse lance, pode se discutir se de fato existiu a falta (o que justificaria a expulsão). Mas caberia ao árbitro – e somente a ele – tal interpretação. Jaílson estava próximo ao lance, muito mais que o 4º árbitro. A ele caberia tal definição. Diferente de uma agressão não percebida, ou alguma ação que não possa ser vista pelo árbitro central.

Mesmo tendo tocado antes na bola, Egídio acabou derrubando o atleta da Chapecoense, que ficaria frente a frente com o goleiro palmeirense. Pode ter sido essa a percepção de Jaílson. Como o 4º árbitro ou o auxiliar poderiam julgar tal interpretação?

“Se é um lance para salvar a arbitragem, o quarto árbitro pode invadir o campo de jogo. Ele deve entrar no campo e chamar a atenção do árbitro”, destacou o comentarista PC Oliveira. Mas então, por que os árbitros são contra o auxílio eletrônico? São contra se modernizar as arbitragens, utilizando-se dois árbitros em campo?

Tal corporativismo é nocivo ao futebol. Quase 100% dos esportes adequou suas regras e a forma de arbitrar a uma nova realidade. O futebol insiste em permanecer estático, regido por regras centenárias e com apenas um árbitro em campo. Mesmo que esse árbitro tenha quase o dobro da idade e muito menos preparo físico que os atletas. E ainda precisa cuidar sozinho uma área imensa.

Já passou da hora de se mudar as regras do jogo e da arbitragem no futebol. Inclusive, se profissionalizando a categoria. É inaceitável que apenas o árbitro (figura fundamental do espetáculo) seja o único “amador” em campo.

Em tempo: a volta atrás na expulsão de Egídio pode até ter feito justiça ao lance. Mas ansioso (e sem esperanças) aguardo o dia em que um lance desses favoreça equipes com o status da Chapecoense contra equipes com o status do Palmeiras.