Rosemar Coelho é medalhista olímpica no atletismo. (Luiz Doro)

A alegria de virar uma medalhista olímpica para a brasileira Rosemar Coelho veio apenas oito anos depois de competir a final do revezamento 4×100 em Pequim 2008. Ao lado de Lucimar  de Moura, Thaissa Presti e Rosângela Santos, ela só recebeu a medalha de bronze no ano de 2016 após revelado o escândalo de doping com a Rússia, que estava com o ouro.

Rosemar Coelho esteve em Curitiba na semana passada para o Circuito CAIXA e participou da edição do Mundo dos Esportes. Na Rádio Banda B, a ex-atleta contou sobre a carreira, a experiência de ser um campeã olímpica e os projetos para trazer novos talentos para o atletismo.

Como iniciou a sua carreira? E quando você percebeu que queria ser uma atleta profissional?

Eu comecei no atletismo dentro da escola, na aula de educação física, com 12 anos de idade, nos Jogos Escolares. Foi em uma das competições que eu fui e meu nome não tinha ido para a súmula. Então, eu teria que correr sozinha. Um dos professores falou para eu correr com os meninos para ter uma referência e fiz o melhor tempo da competição. Isso me chamou a atenção de que era boa para o atletismo e que poderia mudar a minha vida.

Já ouvimos diversas vezes a Marta, craque do futebol, falar que jogou entre os meninos. Como foi essa experiência para você?

Foi desafiador. Eu queria simplesmente correr e não influenciou porque cada um estava em uma raia. Não teve muita dificuldade, e foi um incentivo a mais para eu correr melhor.

Quais os principais resultados de sua carreira?

Minha carreira foi bem bacana. Eu fui uma atleta disciplinada e disputei as principais competições, entre eles os Jogos Pan-Americanos, Sul-Americano, Ibero-Americano e Mundiais. Eu tive a oportunidade de estar em todas as competições e treinava forte para isso. Participei de dois Jogos Olímpicos também.

Falando das suas participações na Olimpíada, a primeira delas foi em Atenas 2004.

Foi uma coisa que eu esperava muito porque eu tinha ficado fora de Sydney 2000 por muito pouco. Eu até fiz o índice para Sydney, mas o vento estava [com uma velocidade] maior de 2.1 m/s. É permitido até 2.0 m/s. Eu fiquei muita frustrada por não participar de Sydney e me preparei muito para Atenas. Era uma chance que não poderia perder e fui um momento emocionante na minha carreira. Eu cheguei na semifinal dos 100 metros e ficamos em nono lugar do revezamento.

A sua segunda participação na Olimpíada foi em Pequim 2008. Você viveu uma situação inusitada na China porque o Brasil terminou o revezamento do 4×100 em quarto lugar e a medalha veio apenas anos depois com o escândalo de doping da Rússia.

Pequim foi diferente. Eu fui para Pequim querendo uma medalha e não queria estar apenas nos Jogos Olímpicos. A gente tinha chance de medalha [no revezamento], eu até tinha vaga na final dos 100 metros para me preparar para a prova que eu achava que poderia ganhar medalha. Era um revezamento muito forte, o Brasil tinha a melhor equipe tecnicamente e até o time americano parou para assistir aos nossos treinamentos.

Quando a gente foi para a final já foi uma alegria imensa por disputar uma final olímpica. Era a primeira vez que um revezamento feminino disputaria a final. Eu abri o revezamento da final e estávamos em segundo lugar até a passagem do bastão da segunda para a terceira mulher. Fiquei muito feliz com o quarto lugar, mas um pouco triste porque a diferença foi de apenas 10 centésimos para a Nigéria. Foram anos amargando esse quarto lugar, mas fiquei muito feliz pois feita a justiça.

Por um outro lado, muitos atletas ganham patrocínio e benefícios quando conquistam uma medalha olímpica. Vocês tiveram algum prejuízo?

Tivemos muitos danos financeiros. Logo depois que recebemos a nossa medalha, ganhamos algumas premiações e abriram algumas portas para trabalho. Tivemos danos financeiros e esse retorno ainda não veio. Fico feliz pela medalha e pela justiça que foi feita

Como foi receber a medalha olímpica oito anos depois?

A única coisa que sinto falta é não ter dado a volta olímpica e esse sonho nunca será realizado. Ter recebido a medalha me deixou bem satisfeita e ver que meus 20 anos de treinamento deram resultado. Só sinto falta da volta olímpica mesmo.

Hoje, você é professora de educação física e esteve em Curitiba para dar uma palestra para as crianças, entre outras ações. Como é você falar com as crianças e incentivar na criação de novos atletas?

A Caixa Econômica Federal patrocina o atletismo brasileiro e tem um projeto chamado heróis olímpicos que leva os ex-atletas para dentro da escola. Nós fazemos palestras falando da importância do esporte nas nossas vidas, leva a medalhas e tem uma ação prática com as crianças. Meu papel é esse de levar a oportunidade para as crianças. Eu também tem um projeto de iniciação ao esporte.

Ouça a entrevista na íntegra com a Rosemar Coelho