Nemi Sabeh Júnior, médico da seleção brasileira feminina. (Reprodução)

O médico da seleção brasileira feminina, Nemi Sabeh Júnior, participa de um grupo para realizar os protocolos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para o retorno do futebol. Em entrevista à Banda B, ele comentou sobre o protocolo e admitiu que espera um número maior de lesões na volta das partidas.

“Nós estamos passando por uma fase muito difícil na saúde e, infelizmente, temos a restrição de todos os atletas, assim como toda a população. Nós temos um protocolo que está sendo formalizado pela CBF para retorno da atividade de futebol com orientação de um grupo de médicos. Esse protocolo segue as orientações do governo do estado e dos regimes dentro da área da ciência e tecnologia”, declarou Sabeh.

O médico ainda acrescentou que o trabalho na CBF é para que os atletas retornem da melhora possível. “O despreparo acontece e não tem como não acontecer. Nós estamos observando em outros países que as lesões apareceram e podem aparecer por aqui também”, comentou.

“De uma forma ou de outra, eles mantiveram o treinamento em casa, mas não era o ideal. Por esse motivo, nós tivemos a observação do Campeonato Alemão que teve algumas lesões na volta. Estão sendo criando um protocolo para um melhor retorno do futebol para que seja garantido a saúde do atleta e a performance”, acrescentou.

Para isso, Sabeh declarou que o retorno tem que ser mais lento em relação às outras pausas no calendário. “Existem alguns trabalhos publicados na Europa para o retorno ideal do futebol ou de qualquer outra prática esportiva seja mais gradual e lenta do que na época de férias ou de um final de semana paradO. O retorno vai ter que ser diferente também. Essa observação já foi feita em outros países da Europa. A quarentena tem funcionado e a cautela é importante para que todos voltem com segurança”, disse.

Além de todo protocolo de higiene, o médico ressaltou a importância de realizar os testes nos funcionários dos clubes. “É realizar testes que avaliam semanalmente os atletas e entender como eles estão durante a pandemia. Se teve contato em casa, a família pode ser testada também. Esse cuidado de teste pode ser para um bloqueio de disseminação. Isso tem dado certo, consegue evitar o contágio. É um protocolo que já está sendo feito individual pelos clubes, e a CBF vai fazer um protocolo geral para os clubes no Brasileiro”, falou.

“Como é uma doença nova, não tem um melhor como dado certo. É pedir o RT-PCR quando o atleta apresenta algum tipo de sintoma. A imunoglobulina tem que ser feita também para saber se teve o contágio sem sintoma. Alguns times só estão fazendo o PCR, que tem uma janela imunológica negativa. É complicado ter apenas um padrão de protocolo e tem que ser avaliado time a time. Se o atleta teve sintoma, PCR sem dúvida. Se não teve sintoma, manteria na imunoglobulina e fazer o PCR a cada 15 dias”, complementou.