Márcio Silva durante partida no ITF de Curitiba. (Nelson Toledo/Fotojump)

Um tenista quando sonha em virar profissional normalmente inicia o trabalho de formação entre 8 e 10 anos. Porém, a história de Márcio Silva foi bem diferente. O gigante de mais de 1,90m começou a jogar já com 11 anos no Mato Grosso do Sul, mas foi em Curitiba que ele ganhou uma oportunidade de treinar em um nível maior através do projeto social do Instituto Ícaro. A capital paranaense também ficará marcada na carreira do jovem como o primeiro lugar onde jogou um torneio profissional – o ITF 15k, que conta pontos para o ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).

“Eu sou de Dourados-MS e comecei jogando com 11 anos mais por brincadeira junto com meu pai e pegava bolinha para os jogos dele. Comecei a tomar gosto pela coisa e quando ia fazer 12 anos perguntei se ele poderia colocar para me treinar com algum professor e comecei com o Cláudio Garcia, em Dourados. Era bem longe e o meu pai era muito guerreiro em me levar sempre. Sempre gostei de treinar, evolui rapidamente e virei número um no Mato Grosso do Sul”, contou Márcio, em entrevista à Banda B.

Para que realmente pudesse mostrar o seu potencial, o jovem tenista pediu ao seu pai para que se mudassem para Curitiba, onde a irmã já morava. Porém, o primeiro teste no Clube Curitibano não foi o esperado e ele pensou em desistir da carreira. Foi então que surgiu um nova oportunidade, agora no Instituto Ícaro. A resposta foi a mesma em relação ao nível de tênis, mas Márcio se destacou nos testes físicos.

“Meu pai tem uns amigos e fui fazer um teste no Clube Curitibano, quando tinha 14 anos. Eu achei que no Mato Grosso do Sul não poderia mais evoluir para atingir os meus sonhos, meu pai fez um esforço e conseguimos vir para Curitiba. Fiz o teste no Curitibano, mas não passei, porque o meu nível de tênis não satisfazia o clube ainda. Fiquei muito triste na época, quis até parar, mas teve outro amigo do meu pai que me deu uma outra oportunidade no Instituto Ícaro. A história foi a mesma do nível de tênis, mas fiz os testes físicos e o pessoal achou que tinha muito mais força que as outras pessoas da minha idade”, comentou o tenista.

 

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Orgulho de fazer parte dessa família!!!! Vamos IIDM campeã do interclubes 2019!! @institutoicaro @escolagugacuritiba @academiasdmtenis Tudo azulll ??

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A importância do treinador

Márcio Silva disputou em Curitiba o primeiro torneio profissional da carreira. (Nelson Toledo/Fotojump)

Através do Instituto Ícaro, Márcio Silva foi acolhido pelo técnico Eduardo Marcolin, o Duda. O garoto não fez questão nenhuma de esconder toda a sua gratidão pelo treinador. “Ele foi o cara que me abraçou quando ninguém queria mais. É um cara que me ajudou em vários momentos. Quando nos mudamos para cá, nós vivemos uma situação muito complicada. O meu pai perdeu o emprego e a minha mãe é professora licenciada no Mato Grosso do Sul. Ele deu emprego para os dois e se não fosse por ele, não estaria aqui hoje”, disse.

Duda destacou que o maior desafio é a corrida contra o tempo já que o jovem começou a formação da carreira como tenista muito tarde. “O Márcio é um projeto bastante desafiador, porque é um atleta que chegou grande e forte, mas jogando um tênis muito abaixo. Normalmente, a gente leva de 6 a 10 anos para formar um jogador, mas ele chegou aqui com 14 anos e tivemos que acelerar o processo. A gente está recuperando o tempo perdido e já conseguiu uma evolução em dois anos e meio que normalmente se faz em quatro, cinco anos. O desafio maior é ganhar do tempo, porque ele ainda é um competidor muito imaturo, mas já está entrando em um padrão normal, como se tivesse iniciado com oito anos”, avaliou.

O primeiro torneio como profissional

Curitiba está recebendo nesta semana o ITF 15k nas quadras de saibro do Graciosa Country Club. O jovem tenista passou pelo qualificatório com duas vitórias e perdeu nos detalhes na estreia da chave principal para Enrique Bogo por 2 sets a 1, com parciais de 6-7 (2-7), 6-2 e 7-6 (8-6). “Eu fiquei muito feliz quando descobri que teria a oportunidade de jogar o qualifyng, abracei essa oportunidade e joguei um belo tênis contra grandes adversários. Consegui superar dois jogadores e furar esse quali foi uma vitória”, declarou.

“Tinha uma primeira rodada muito dura contra o Enrique Bogo, vim preparado para isso e alguns amigos me falaram alguns detalhes sobre ele. Eu entrei muito firme no jogo, a experiência fez valer a pena para ele que já estava mais acostumado com esse clima de torneio. Tive algumas emoções, acabei cometendo uma dupla-falta e ele aproveitou a oportunidade”, acrescentou Silva.

O futuro

Depois do torneio em Curitiba, Márcio Silva vai continuar disputando torneios no Brasil e sonha em disputar os Grand Slams no juvenil. “Eu vou agora para os ITFs que vão acontecer no Brasil, vou para Londrina na sexta-feira. Quero jogar ITFs no juvenil para disputar os Grand Slams no juvenil. No segundo semestre, eu quero jogar mais torneios profissionais para conseguir nas próximas oportunidades os pontos e despontar de uma vez por todas”, finalizou.