Teliana Pereira. (Cristiano Andujar/CBT)

Uma das maiores tenistas do Brasil em toda a história, Teliana Pereira anunciou a aposentadoria das quadras aos 32 anos. Em participação no programa Meio-Dia Esportivo, a tenista falou sobre a carreira de sucesso, com direito a dois títulos de WTA, participação nos Jogos Olímpicos, entre outros feitos, e o futuro no tênis.

“Foi uma carreira muito legal e muito além do que achei que iria conseguir. Lógico que a gente trabalha muito, traça todos os objetivos, mas alcançá-los é bem difícil. Eu encerro esse ciclo da minha vida com muita alegria e satisfeita com tudo que fiz”, declarou Teliana.

Confira o restante da entrevista com Teliana Pereira:

Quais momentos da carreira você lembra com muito carinho?

Cada ano a gente passa por vários momentos, mas não tem como não falar sobre o meu primeiro título de WTA, em Bogotá. Esse torneio foi muito especial porque sempre tive o objetivo [de ganhar]. Já tinha jogado vários torneios desse nível, fiz semifinal no Rio de Janeiro e até em Bogotá, e foi um momento que passei a acreditar que poderia ganhar torneios maiores. Logo depois, ganhei também o WTA de Florianópolis, que entra no meu Top 2. Se for falar de todos os momentos, a gente lembra desde o primeiro título como profissional até a aposentadoria. Fico com os dois títulos, Florianópolis teve a torcida e ganhar um torneio no Brasil, que era um sonho. Realizei quase todos os meus sonhos, alcancei meus objetivos e encerro extremamente feliz.

No título em Florianópolis, você quase não entrou em quadra para a final contra a alemã Annika Beck por lesão. Como que foi para você aquela superação para conquistar o título em casa?

Esse torneio já muita história até antes de chegar em Florianópolis. Duas semanas antes de Florianópolis, eu estava jogando na Europa e tive que desistir com muita dor no joelho. Voltei para o Brasil, fiquei uma semana em Curitiba e nem treinei porque queria me recuperar. Fui para Florianópolis sem saber se ia jogar. Dois dias antes, eu fiz meu primeiro treino e estava pouco melhor. Como era no Brasil, em casa, e importante, decidi entrar em quadra para ver o que acontece. Tive o primeiro jogo duríssimo e senti que ia melhorando até a semifinal, quando fiquei doente. Já na semifinal, eu estava me sentindo estranha e fiquei mal após a partida. Achei que não ia conseguir jogar a final, mas liguei para a família após a semifinal e me falaram que iam assistir à final. Isso me deu muito ânimo para poder lutar. Antes da final, quando fui aquecer, eu virei para o Renato, meu irmão e técnico, e disse que não tinha condições. Ele me respondeu: “é claro que consegue. Os primeiros games vão ser muito difíceis, mas quando olhar para fora, vai ver que todas as pessoas estão torcendo por você e vai ter força para lutar até o último ponto. Se tiver que jogar três horas, vai jogar”. E foi o que aconteceu. Eu ganhei no terceiro set, tive muita dificuldade nos primeiros games, mas levei no coração. Depois do torneio, eu fiquei quase uma semana de cama, mas valeu muito a pena”.

Outro momento importante no Brasil foi a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Como que foi para você quando soube que iria representar o Brasil na Olimpíada em casa e as partidas em si?

Foi um momento muito mágico. Todos nós trabalhamos para defender o nosso país em uma Olimpíada. Foi a realização de um sonho. Não só o fato de jogar uma Olimpíada, mas foi ainda mais especial no Brasil. Nós, mulheres, temos pouquíssimos torneios no Brasil, então, foi incrível. O resultado poderia ter sido melhor, mas isso nem passou pela minha cabeça. Só o fato de estar convivendo com os melhores atletas de todos os atletas foi sensacional. Eu curti muito e tive o privilégio de estar lá.

Já caiu a ficha da importância que você tem para o tênis brasileiro?

Vou ser muito sincera que não tenho. Eu sabia que ia ser um dia muito emocionante por ser um fim de um ciclo em quadra porque não pretendo sair do tênis tão cedo. Recebi muito mais carinho que imaginei, comecei a ler muita coisa e hoje comecei a ter pouco mais de noção que tudo que fiz é muito importante. Fico feliz em ter inspirado e sinto que abri muito caminho para as meninas. A Bia Haddad, que está jogando muito agora, a Gabriela Cé, todas as meninas que lutam para chegar ao topo, se inspiram. Eu mostrei para elas que muita garra e amor, você chega. Preciso de mais um tempo para ter noção de tudo que foi feito e da importância. Só o fato de ter inspirado essas meninas já é o suficiente para mim.

Você disse que seu futuro é com o tênis. Já tem ideia de como será o futuro?

Eu não tenho nada certo. Desejo muito ficar no tênis, mas ainda não sei como. Tem a academia do meu irmão, sempre estou ali dando uns toques e adoro assistir aos treinamentos. Eu comentei o US Open e o Australian Open na televisão e adoro muito. Espero fazer mais algumas vezes. E sempre tive muito o sonho de ajudar de alguma maneira as tenistas que estão vindo. Eu saí do sertão nordestino, onde poucas crianças têm a oportunidade de viver tudo que vivi. Espero de alguma maneira ajudar, mas ainda não sei como. Tenho algumas coisas em mente. Eu posso contribuir muito com o tênis feminino brasileiro.

Ouça a entrevista com Teliana Pereira na íntegra