Athos Schwantes. (Reprodução/Facebook)

A pressão pela mudança dos Jogos Olímpicos de 2020 para 2021 se torna cada vez maior. Neste sábado (21), o Comitê Olímpico do Brasil (COB) se posicionou favorável ao adiamento do maior evento esportivo e recebeu o apoio de diversas federações. Os atletas também começaram a defender a mudança de data da Olimpíada.

Entre os atletas que defendem o adiamento da Olimpíada de Tóquio está o esgrimista Athos Schwantes. Em entrevista à Banda B, o curitibano, que estava em preparação para o Pré-Olímpico na Itália, declarou que seria injusto com os atletas a manutenção do evento na data prevista.

“Não vai ser justo com a população mundial que alguma região já consiga treinar melhor e outra não consiga treinar. Não dar condições para que os atletas se preparem para o maior evento esportivo não é a situação justa e ideal. Isso vai ter um peso muito grande. Os resultados da Olimpíada iriam se resumir a quem conseguir controlar melhor o coronavírus em seu país. Eu estou achando que a Olimpíada não vai acontecer esse ano, mas no ano que vem para que seja mais justo com todos. Depois que o mundo conseguiu controlar a epidemia, a gente pode pensar nos Jogos Olímpicos. Deve ser pensado primeiro na saúde dos atletas e todas as pessoas que estão envolvidas nos jogos”, declarou o esgrimista.

Schwantes ainda lembrou que o Japão, um dos países que já está freando o avanço do novo coronavírus, vai receber muitos turistas durante a Olimpíada e pode ter um novo aumento no número de infectados. “O Japão iria receber muitos turistas e deslocar turistas onde acabaram de controlar o coronavírus vai gerar ainda mais riscos de contágio. Vejo como bem complexa essa situação das Olimpíadas e espero que as autoridades prezem pela saúde das pessoas envolvidas”, disse.

Preparação afetada para o Pré-Olímpico

Athos Schwantes estava em Roma, na Itália, treinando para a disputa do Pré-Olímpico, que estava marcado para abril, mas foi adiado. Com o aumento no número de casos em território italiano, a academia em que o esgrimista estava treinando foi fechada e ele retornou para o Brasil. “Chegou um momento que precisaram fechar as academias e já não poderia treinar mais treinar na academia de esgrima. Imediatamente, eu liguei para a Confederação Brasileira de Esgrima para adiantar o meu retorno para o Brasil. Essa decisão aconteceu no domingo e na terça-feira já estava com a minha volta para o Brasil. Eu fiz uma escala na Espanha e não tinha nenhum controle. Em São Paulo e em Curitiba, apenas o piloto deu algumas informações na cabine”, comentou.

“Teve a penúltima da competição do circuito mundial em Budapeste e eu participei. Nessa competição já teve medidas diferentes, a gente não era obrigado a se cumprimentar no final do combate com o aperto do mão. A Federação Internacional lançou um comunicado que até o final de abril todas as competições seriam canceladas, incluindo a última competição que daria pontos para a corrida olímpica e os pré-olímpicos. Isso gerou uma incerteza absurda em todo mundo. Não foi definida ainda a data do pré-olímpico e existe uma incerteza sobre os Jogos Olímpicos”, acrescentou Schwantes.

Quarentena voluntária

Por ter voltado de viagem da Itália, o curitibano entrou em quarentena voluntária e pediu conscientização dos brasileiros. “Por ter vivenciado tudo isso em Roma e visto a situação grave, eu me coloquei em quarentena voluntária e entrei em contato com as pessoas ao meu redor para que fechassem também porque sabia que a coisa iria ficar complexa também no Brasil. Estou no meu 9º dia de quarentena [na sexta-feira] e espero que as pessoas fiquem em casa. É a única forma de combater”, falou.

“A principal vantagem do brasileiro é que chegou depois. A gente não pode neglicenciar isso e tem que usar a nosso favor. Nós temos que aprender com os erros dos outros. Quando vejo as pessoas irem para a praia, isso não é uma atitude que devemos tomar. Devemos usar o que aconteceu na Ásia e na Europa como exemplo para não repetir. Em Roma, durante algum tempo, enquanto o norte da Itália estava tudo fechado, a vida estava normal. Não pode ser assim, porque o vírus se espalha rapidamente. Todo mundo tem que ser solidário e se isolando em casa”, complementou.