Campeão olímpico em 2004, tricampeonato mundial em 2002, 2006 e 2010, medalhista de ouro no Pan-Americano de 2007, o ex-jogador Giba foi o convidado do Meio-Dia Esportivo no último domingo (19). Durante a entrevista, o atual presidente da Comissão Mundial dos Atletas da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) falou sobre o momento do esporte com a pandemia da Covid-19 e a expectativa para o nascimento da filha Brianna – a esposa Maria Luiz Daudt está grávida de oito meses.

Giba, que mora na Polônia, retornou ao Brasil em março com um grupo de 32 pessoas para que a filha nascesse em Curitiba. O ex-jogador já é pai de Nicoll, de 16 anos, e Patrick, de 12 anos, frutos do relacionamento com Cristina Pirv.

Giba será pai pela terceira vez. (Reprodução/Instagram)

Confira como foi a entrevista com Giba:

Chegada da terceira filha novamente em ano olímpico

Mais um ano olímpico e mais um filho depois de 12 anos. A Brianna está vindo com saúde, todos com saúde e estamos nos cuidando bastante.

Rotina durante a quarentena

A gente continua trabalhando, e a tecnologia ajuda bastante. Eu, como presidente da Comissão Mundial dos Atletas da Federação Internacional de Vôlei, continuo fazendo todas das ligações por videoconferência e trabalho em prol do voleibol.

Retorno aos treinos na Europa

São tempos diferentes. O tempo do Brasil é diferente do tempo da Europa. Na Europa, a pandemia começou no inverno e foi bem forte, onde realmente começou. Agora no Brasil, ela aumentou no inverno, como esperado. A Europa está voltando no calor e também tomou medidas radicais. O imediatismo lá foi por conta das tantas guerras pelas quais eles já passaram. Foi um lockdown bem respeitado pela população de todos os países. E por isso eles conseguiram voltar rapidinho.

Ausência de jogos da seleção brasileira

A FIVB cancelou todos os eventos internacionais de seleções devido à pandemia. Não tem como pegar alguns países que estão em crise e outros não. Não tem como juntar todo mundo num lugar só, é complicado. Estou vendo nas redes sociais todo mundo treinando, Bruninho, Lucarelli, treinando e ansioso para voltar às quadras.

Crise financeira dos clubes brasileiros

Não é só no voleibol, mas todas as empresas. É uma coisa para todos os atletas terem calma. Tenho certeza que as federações locais, brasileira, italiana, russa estão trabalhando para que o mercado volte o mais rápido possível.

Projeto do Curitiba Vôlei

Curitiba precisa de um time de voleibol e a gente lembra dos anos áureos do Rexona, quando a cidade abraçou o projeto. O Curitiba Vôlei veio também para fazer a mesma coisa e trazer alegria para a família curitibana.

Equipe masculina em Curitiba

O clube, com certeza, caberia e tem espaço para todos. Eu vim para minha filha nascer em Curitiba, mas acabando tudo, estou voltando para a Polônia. Meus projetos estão lá e está mais perto da FIVB. Espero que venha a equipe de vôlei, mas o Giba não vai conseguir ser padrinho até pela distância.

Projeto com crianças

Não [sonha em trabalhar em clube ou seleção]. Meu projeto é trabalhar com crianças mesmo. Quantos atletas ficam pelo meio do caminho? Quantos atletas precisam para ser feito um Giba? Minha energia está voltada para a formação das crianças que precisam do esporte e caso eles não tenham sucesso no esporte, tenham sucesso na vida.

Geração de ouro em 2004

Aquela equipe era uma família, em que todos eram importantes. Eram 12, 16 jogadores, mais a comissão técnica, mais todas as pessoas que ajudavam fora da quadra, mas eram fundamentais. Foi uma história que começou em 1993, na base, e depois 4 ou 5 chegaram na seleção adulta. A FIVB nos deu um prêmio como a seleção coletiva mais vitoriosa da história. É uma honra participar de uma geração como essa.

Todos os momentos foram especiais. O ouro olímpico foi um momento especial, mas todos foram. Eu resumo aquela geração numa frase, que eu ouvi de uma fã: “Depois que o Ayrton Senna faleceu, vocês alegravam o nosso domingo”. Todos os momentos eram importantes para nós.

Comparação entre gerações

Comparação é uma coisa meio complicada. Todo mundo pergunta quem é melhor: Zé Roberto ou Bernardinho? Os dois são bons e não tem como fazer uma comparação. Todo mundo fazia o questionamento na Olimpíada de 92 e veio a nossa equipe nos anos 2000. Cada geração é uma história. Eles estão fazendo uma história bonita. Foram campeões olímpicos, chegaram duas vezes na final do Mundial. Não é só a medalha de ouro que importa, o Brasil continua no pódio e representando bem o país. É importante para as crianças que desejam ser jogadoras de vôlei.