Athos Schwantes. (Reprodução/Instagram)

Depois de dois meses de indefinição em meio à pandemia do novo coronavírus, o esgrimista curitibano Athos Schwantes recebeu uma boa notícia no começo da semana. A Federação Internacional de Esgrima (FIE) divulgou que o Pré-Olímpico será realizado entre os dias 15 e 30 de abril de 2021.

Em entrevista à Banda B, Schwantes, que treina em sua casa em Curitiba desde que iniciou a quarentena em março, comemorou a notícia e já iniciou o planejamento para a disputa do Pré-Olímpico.

Você voltou da Itália no começo de março e entrou em quarentena voluntária na ocasião. Dois meses depois, como está a sua vida e os treinos em casa?

Desde aquele momento no dia 05 de março, quando voltei da Itália e entrei em quarentena, continuo assim. Estou treinando em casa, fazer tudo que é possível fazer com o que tenho a disposição em casa. Os treinos estão sendo feito de forma adaptada porque não tenho uma pista de esgrima na minha casa, os aparelhos e não posso ter contato com meu mestre. O mais importante que ficar parado é fazer o treinamento de forma adaptada. Quando não tinha a definição da Olimpíada, não tive a energia para poder treinar e teve dias que não consegui treinar. Agora que saíram as notícias que vai ter Tóquio em 2021 e a confirmação do Pré-Olímpico em abril do ano que vem, as certezas começam a voltar.

Durante a semana saiu a definição de algumas competições e também do Pré-Olímpico. Como você que consegue montar toda a sua preparação de olho no Pré-Olímpico?

Saiu essa definição, mas a Federação Internacional de Esgrima definiu apenas o Pré-Olímpico. Ela definiu também algumas datas para poder fazer a logística para Tóquio, com data limite para envio de documento e apresentação dos atletas. Como o Pré-Olímpico está muito ligado a essa questão das datas de Tóquio, já foi definido. Entre os dias 15 e 30 de abril vão ser disputados os Pré-Olímpicos em todo o mundo. Nesse contexto todo, ainda faltam algumas definição. A Federação Internacional precisa definir as datas da Copa do Mundo e quando vai ser a última etapa da Copa do Mundo que ficou faltando para a classificação olímpica. Tem algumas pessoas que estão dependendo desta última competição da Copa do Mundo. Eu estou dependendo do Pré-Olímpico. Com o Pré-Olímpico definido, eu começo a esboçar o planejamento para 2021 que passa justamente por essa competição de abril. Estamos aguardando essas definições finais.

Em relação ao calendário brasileiro, a Confederação Brasileira de Esgrima (CBE) já definiu algum cenário?

Desde que teve a pandemia decretada, a CBE suspendeu o calendário nacional, mas agora já apresentou três cenários diferentes para o calendário. Um calendário mais otimista com a questão da pandemia sendo controlada de maneira mais rápida e a volta de praticamente dois terços das competições que estavam previstos. Tem um cenário mais mediano que teria metade das provas acontecendo até o final de ano. E tem um cenário mais pessimista com no máximo uma competição acontecendo que seria o Campeonato Brasileiro. Sempre foi ressaltado que são cenários e qualquer previsão precisa ser confirmado com a situação que vamos encontrar lá na frente. Vai ser sempre seguido as orientações dos órgãos de saúde.

Já tem conversa para a volta dos torneios internacionais?

Em relação às provas internacionais, não tem muitas definições. A única definição foi a data do Pré-Olímpico. A Federação Internacional sinalizou que tem a intenção do Mundial Cadete Juvenil, que seria em abril, mas pode ser realizado em outubro. Isso também está pendente de definição do cenário da Covid. A sede do Mundial era os Estados Unidos, que estão em uma situação complexa. Se não for possível realizar, vai ser cancelado.

Na conversa em março, você disse que se a Olimpíada fosse mantida em 2020, seria a Olimpíada de quem trabalhou melhor à Covid-19. Mesmo com a mudança em 2021, isso pode acontecer e ser uma Olimpíada desigual?

Se a gente conseguir uma solução rápida, encontrar uma vacina e fazer até o final do ano essa entrega para todo mundo, a coisa vai ser a justa. Se tiver uma vacina e o mundo inteiro não tiver acesso, vai ser desigual. Tudo vai depender com a velocidade em que a gente vai encontrar soluções para o Covid. A gente está em uma situação bem delicada e torço para que se encontre uma solução. Espero que todos os países consigam se preparar de maneira igual e justa.