Gisele Miró busca patrocínios para a próxima temporada do Curitiba Vôlei. (Divulgação/Curitiba Vôlei)

O Curitiba Vôlei é uma das equipes que ainda não se apresentou para a disputa da Superliga 2020-2021. O motivo é bem claro: com a pandemia da Covid-19, a equipe ainda busca patrocínios para a montagem do elenco e da comissão técnica. Em entrevista à Banda B, a diretora Gisele Miró afirmou que já tem encaminhado acordo com 14 jogadoras, mas espera por parceiros para viabilizar financeiramente a próxima temporada.

“Eu prefiro ainda não falar em nomes. Estamos em negociações bem avançadas e a questão é bem estratégica para conseguir montar a equipe. Já temos 14 jogadoras praticamente aguardando o que vai acontecer nos próximos dias. A ideia seria começar já no dia 10 de setembro. A única coisa que ainda buscamos um patrocínio. É difícil sempre buscar patrocinadores, pior ainda na pandemia”, explicou a dirigente.

O único apoio até o momento é da Prefeitura de Curitiba, mas a diretora trabalha para conseguir outros patrocinadores. “Nós estamos na expectativa e conversando com boas atletas. Tenho certeza que vamos conseguir montar um dos principais times que a gente já teve. O grande problema é a realidade do esporte brasileiro que é a falta de patrocínio, ainda mais no esporte paranaense. O empresariado ainda não enxergou a importância do esporte para tudo na vida. A Superliga é a principal competição, tem 13 medalhistas olímpicas, e trazer esse tipo de evento para Curitiba é importante para as novas gerações. Mesmo com esse momento de pandemia, todos os jogos são transmitidos pela TV e a gente vai estar influenciado a prática esportiva”, ressaltou.

‘Bolha’ na Superliga

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ainda não definiu a data de início e o formato da próxima Superliga. Em reunião realizada na última segunda-feira, o Curitiba Vôlei sugeriu uma ‘bolha’ em Saquarema, onde fica o centro de treinamento da CBV, ou no Sportsville, que pertence ao técnico José Roberto Guimarães. “Até conversando com a CBV, em reunião, a sugestão do Curitiba Vôlei seria fazer uma ‘bolha’ em Saquarema ou no Sportville, do Zé Roberto [Guimarães, técnico da seleção feminina e do São Paulo/Barueri], para que tenha segurança o retorno”, disse Miró.

Porém, de acordo com a diretora, os clubes não foram muito favoráveis a ideia. “Não foram muito favoráveis pela questão dos próprios patrocinadores. A gente pensa nos times grandes, que estão há muitos anos na Superliga e têm recursos, então não teriam problemas de bancar os testes. Esse seria um problema para os times menores ou um time que ainda está tentando se firmar, como é o nosso caso. Espero que alguma ideia surja ou algum patrocinador venha com a gente, entendendo não só da importância da retomada do esporte, mas da chance que temos de montar uma equipe mais competitiva”, comentou.

Local dos jogos

Se os jogos da Superliga acontecerem em Curitiba, a equipe provavelmente terá uma nova casa após duas temporadas no Ginásio da Universidade Positivo. Como as aulas ainda não voltaram em todo o estado, a UP também não pode receber jogos de vôlei. “Nós estávamos aguardando o Positivo, mas fica difícil a conversação por ainda não ter tido o retorno das aulas. Eu procurei o Emílio [Trautwein, secretário de Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba], que gosta muito de vôlei, e ele nos tranquilizou que teria um ginásio da prefeitura para os treinos e os jogos. Curitiba tem alguns ginásios bons que comportariam muito bem a Superliga”, explicou a diretora.

Uma opção seria o Centro de Esporte e Lazer Dirceu Graeser, que fica na Praça Oswaldo Cruz. “Provavelmente seria na praça Oswaldo Cruz, mas teria que ver a aprovação da CBV. Tem uma série de coisas para ser definido em pouquíssimo tempo. Vai ser o ano mais difícil para montar a equipe e toda a estrutura para a Superliga, mas acredito que a gente tem uma boa chance e vou tentar até o último segundo para colocar Curitiba na Superliga. São 44 anos de história na Superliga e nós somos apenas o segundo time de Curitiba na competição”, declarou a dirigente.

Testes das jogadoras

A CBV ainda não garantiu que vai bancar os testes para a Covid-19. Segundo Gisele Miró, se o Curitiba tiver que pagar a testagem durante a Superliga, não terá condições financeiras de participar da competição. “A gente ainda está negociando. A CBV diz que está procurando apoio de alguns laboratórios e gostaria de arcar. Se não tiver esse apoio, provavelmente cada time terá que arcar com os testes. Aí iria inviabilizar a nossa participação nesta temporada, a não ser que consiga um laboratório do Paraná que possa nos ajudar na questão dos testes”, concluiu.