Gustavo Castro. (Reprodução)

O sonho de vivenciar a Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016, foi realizada por muitos torcedores brasileiros. E o desejo era o mesmo do paranaense Gustavo Castro. Porém, ele ainda vive um pesadelo 4 anos após o término dos jogos. Gustavo teve os ingressos bloqueados por crime cometido por um homônimo, que estava vendendo entradas na internet por preços abusivos, e ainda foi processado pelo Comitê Organizador da Rio-2016.

Toda a história começou em abril de 2015, quando após o processo de sorteio, Castro teve a oportunidade de ter os ingressos de seu interesse para ver diversas modalidades em diversas fases da competição, como quartas de finais e semifinais. Após comprar ingressos para toda a família, o paranaense ainda queria garantir entradas para os jogos da seleção brasileira para esportes como o vôlei. Quando entrou para realizar a nova compra em um novo lote de ingressos, menos de um mês para o início dos jogos, ele descobriu que sua conta estava bloqueada por uma questão judicial não informada pela central de atendimento e que não receberia os ingressos.

“Teve um evento poucas semanas antes dos jogos, onde uma nova carga de ingressos foi colocada à venda. Este novo lote contava com jogos do Brasil os quais no sorteio prévio não tive a oportunidade de comprar. Então pensei em usar essa oportunidade para assistir a jogos do Brasil. Na hora que tentei acessar minha conta e comprar, recebi a mensagem que minha conta estava bloqueada. Entrei em contato com a central de atendimento e me informaram que era por uma questão judicial”, comentou o torcedor, em entrevista à Banda B.

Somente depois de contratar uma advogada que o paranaense descobriu que estava sendo confundido com outra pessoa. Um homônimo de São Paulo estava vendendo ingressos pela internet por preços abusivos. “O pessoal me explicou que era um processo e entendi que minha conta estava bloqueada porque eu era tido como uma das pessoas que fazia parte de um processo coletivo que envolvia a venda de ingressos por preços abusivos na internet (“cambismo”). Investigando junto com a minha advogada, descobrimos que tinha outro Gustavo Castro vendendo ingressos no Facebook a preços absurdos. Ele estava vendendo ingressos para jogos que eu nem tinha posse”, disse.

De acordo com Castro, faltou uma consulta por parte da Rio-2016 ao sistema de dados dos compradores de ingressos para verificar que ele sequer tinha ingressos para as modalidades que estavam sendo vendidas irregularmente pela internet. “O que o Comitê deveria ter feito? “Uma simples conferencia do que estava sendo vendido e realmente quem os possuíam. Não sei porque bloquearam a minha conta em meio a diversas outras contas de outros Gustavos, e também porque a Rio-2016 nem se deu o trabalho de checar que eu, o Gustavo Castro, do Paraná, não tinha em minha conta os ingressos. Não posso vender um ingresso que eu não tenho”, falou.

“Faltou uma simples verificação! A Rio-2016 deveria ter visto que eu não tinha ingressos de futebol, vôlei de praia e outros mais que estavam sendo oferecidos na internet. Foi essa falha capital que gerou todo esse transtorno.  A Olimpíada aconteceu, não recebi os ingressos para as competições de meu desejo e nem fui reembolsado do valor de R$ 4 mil. Depois que aconteceram os jogos e não ter recebido o dinheiro, entrei com um processo cível para reparar o erro e pelo fato de estarem me processando por um crime que nem cometi, além de ter me impedido de assistir a diversos jogos e competições de meu desejo, nas Olimpíada no Brasil, a qual esperei por anos”, acrescentou.

Sonho realizado

De última hora, o paranaense realizou o sonho de assistir à Olimpíada no Rio de Janeiro, mas não para os eventos que tinha programado um ano antes. “Eu acabei indo aos jogos, mas fui para assistir outras coisas. Eu acabei indo para assistir não aquilo que gostaria. Os ingressos que comprei com calma em 2015, eu não tive mais. A minha irmã conseguiu alguns ingressos e fui assim mesmo”, declarou.

Situação de momento

Quatro anos depois, Castro tem um processo contra a Rio-2016 por danos morais e para receber o dinheiro dos ingressos que nunca viu. Além disso, ele está sendo processado por um crime que nunca cometeu. “Até há algumas semanas, a Rio-2016 ofereceu um valor que representava próximo de 12% do valor da ação para um acordo, mas não aceitei, pois, este valor era inferior ao valor dos ingressos pagos em 2015. O processo criminal no Rio de Janeiro também está acontecendo, onde eles falam que sou culpado. E em aqui em Curitiba, existe um processo cível contra a Rio-2016 por ter aberto um processo criminal contra um inocente. Estou pedindo apenas que a justiça seja feita e que o verdadeiro culpado, que até hoje permanece impune seja responsabilizado por seus atos”, finalizou.