Toda Copa do Mundo deixa um aprendizado, isso é inegável. E não é só para a seleção brasileira, mas é para o mundo do futebol. 2006, por exemplo, mostrou que não adianta um monte de craque junto sendo que não existia tanto comprometimento. Em compensação, em 2010, pudemos ver a Espanha colocando um estilo de jogo que dominou o mundo por duas Copas e duas Eurocopas. Em 2014 aprendemos que não vamos ganhar sempre no talento e que podemos sim ser humilhados em casa. E em 2018? O que vocês aprenderam?

Eu posso dizer que aprendi muito. Aprendi que de 32 seleções – por enquanto – que participam de uma Copa do Mundo, pelo menos trinta estão conseguindo prevalecer qualquer individualismo com a obediência tática e por isso tem a capacidade de criar dificuldades a todos os adversários. Balela? Não é. A Croácia é um ótimo exemplo. Para todos que desligaram a televisão ou o rádio após a vitória da França no último domingo, o Modric é um craque, se tornou mais conhecido na Rússia e caso fosse campeão seria aclamado por grande parte para levantar o troféu de melhor jogador do mundo.  Modric é um craque? É. Mas é aquele cara que vai jogar em função do time e dificilmente você verá fazendo uma jogada que decidirá um jogo sozinho, que está nesse nível há anos e anos e até agora ninguém tinha se emocionado tanto, mas o time que ele jogou ganhou de todos na obediência tática e na imposição física.

Aprendi que as tendências mudam com uma velocidade incrível. Enquanto alguns, inclusive no Brasil, ainda tentam implantar a filosofia de domínio territorial, lá na Europa a transição extremamente rápida em bloco baixo – com muitas vezes linha de cinco – já é totalmente explorada. Por quanto tempo funcionará? Não sei. Provavelmente pouco.

Comprovei algumas teses, também. A geração belga não é só do PlayStation, o Mbappé será melhor do mundo talvez antes que o Neymar – que pode nunca ser -, o Pogba é sensacional em sua função e parem de esperar que ele faça um gol por jogo, o Messi realmente não se dá bem com sua seleção e a Europa está milhões de anos-luz na nossa frente. Não aprendemos com o 7×1, apenas nos iludimos e não iremos aprender nunca, pela cultura do oba-oba.

Em tempo, minha seleção da Copa seria escalada com: Courtois; Vrsaljko, Varane, Thiago Silva e Hernandez; Kanté, Pogba e Modric; Hazard, Mbappé e Griezmann.