Carlos Jatobá assinou com o Sporting até 2023 (Divulgação/Sporting CP)

Quando se fala em Carlos Jatobá, muitos lembram do consagrado zagueiros dos anos 80 e 90, conhecido do futebol paranaense com as camisas de Atlético, Coritiba, Pinheiros e Grêmio Maringá, que teve o auge da carreira atuando no Corinthians. Mas não é engano nenhum ouvir esse nome em campo na atualidade e com a camisa de um grande clube europeu. Com o mesmo nome do pai, o filho do ex-jogador, que atua no Sporting Lisboa, comentou sobre a relação e espera manter a tradição da família no futebol.

“Eu acho muito legal, pois meu pai é um grande companheiro que me ajuda muito. Nunca me cobrou muito, sempre me apoiou e incentivou. Não vejo como uma pressão ter ele como meu pai e sim como um grande incentivo. Só tenho que agradecer a ele”, comentou o jogador em entrevista ao Mundo Afora.

Aos 23 anos, Carlos Jatobá iniciou a sua trajetória no futebol paranaense. Ainda na base teve passagens pelo Paraná Clube, Trieste, Figueirense e Internacional, mas teve a primeira chance no profissional pelo JMalucelli. “Tive uns problemas no Figueirense e acabei rescindindo. O JMalucelli abriu as portas para mim e foram bons anos que vivi lá. O grupo profissional que eu encontrei só tinha grandes jogadores, pessoas maravilhosas. É uma pena que o clube esteja de portas fechadas, pois foi o clube que abriu as portas para mim de verdade. Agradeço aos clubes que fiz a minha base, mas o JMalucelli foi quem acreditou em mim e serei sempre grato”, disse.

Depois de atuar pelo Jotinha e pelo Londrina, em 2016, Jatobá ganhou a sua primeira oportunidade no Velho Continente para defender o FC Dunav, da Bulgária. “A passagem pelo Londrina foi um empréstimo, depois da Série D que fiz no Jota. Depois, fui para a Bulgária. Confesso que fui com um pé atrás, mas foi o que eu e o meu empresário achamos melhor. No fim foi uma grande experiência. O Campeonato Búlgaro da primeira divisão tem grandes times, consegui evoluir bastante. O meu período de adaptação na Europa foi lá e vivi grandes momentos”, conta.

Jatobá em ação pelo FC Dunav, da Bulgária (Reprodução/Facebook)

No país do sudeste europeu, o volante brasileiro assumiu a titularidade absoluta e despertou a atenção do Sporting Lisboa, tradicional clube de Portugal. Nos Leões de Alvalade, o início foi conturbado, com a forte crise política que atingiu a instituição no fim da última temporada, com direito a cenas de violência entre torcedores e atletas.

“Estava uma confusão grande quando cheguei, mudou o presidente logo que assinei o contrato. Está sendo um momento de mudanças e cobranças, muito difícil para o clube. Mas acho que o Sporting está levando tudo bem. Não creio que a grandeza do clube não é afetada”, destaca o volante.

Com contrato até junho de 2023, Carlos Jatobá chegou para o time Sub-23 do Sporting e aguarda a primeira chance no elenco principal, o que espera que aconteça ainda nesta temporada. “Isso tudo vai depender muito do meu desempenho individual. Eu acredito muito no meu potencial, sei que posso crescer muito mais. Tenho o desejo muito grande de jogar na equipe principal ainda nesta temporada. Mas, se não acontecer, sei que ainda tem um tempo muito grande para conquistar essa vaga. Eu tenho certeza que esse momento vai chegar e vou trabalhar para que isso aconteça”, projeta.

Confira mais trechos da entrevista com Carlos Jatobá:

Como foi o seu início no Sporting, você já sabia que iria atuar no Sub-23 ou chegou a treinar no profissional?

“Foi um começo complicado para mim. Eu cheguei para o time Sub-23, mas acabou gerando a oportunidade de fazer a pré-temporada com a equipe principal. Fiz exames, teste físico, mas acabei tendo uma lesão no terceiro dia de treinos e tive que ficar dois meses parado. Agora estou treinando com o time Sub-23”.

Em menos de três anos, você atuou no Brasil, Bulgária e Portugal. Você notou muita diferença de um país para outro?

“De um futebol para o outro, sempre terá uma diferença de estilo. Mas não são coisas alarmantes, são pequenos detalhes. Na Bulgária era um jogo mais pegado, de força. Tem jogos mais truncados, não tão jogados, eu senti essa diferença. Mas nada muito além do normal, também são times de qualidade. Eu senti um pouco, mas me adaptei rápido e fui embora”.

Muitos desconhecem clubes e o futebol búlgaro em si, mas esses países com menos tradição servem como vitrine para grandes ligas da Europa. Você considera a Bulgária como uma dessas vitrines?

“É uma grande vitrine. Na Europa, os países que não se ouvem falar tanto também são vitrines. Os clubes grandes estão sempre acompanhando. Agradeço muito ao Dunas por terem me permitido essa experiência, pois foi o que me possibilitou chegar ao Sporting”.

Seu pai foi um grande zagueiro e você, como um bom volante, tem que saber marcar. Ele sempre te auxiliou nisso? 

“Sempre rola umas dicas boas. Mas o meu pai sempre quis que eu jogasse no ataque. Ele me dizia que zagueiro sofria muito e quem ganhava dinheiro é quem fazia gol. Mas me encontrei como volante, é a posição que eu amo jogar”.

E você já chegou a jogar no ataque alguma vez?

“Joguei um ano de ponta no Internacional, até fui bem. Depois joguei umas partidas de volante, me encaixei melhor e acabei ficando por ali”.

E neste período de atacante, deu para fazer uns gols? (risos)

“Fazia uns golzinhos, viu (risos). Me lembro que meu pai foi assistir a alguns jogos e fiz gol para ele. Foi um bom tempo, de muito aprendizado”.

E entre os jogadores da sua posição, quais são seus grandes ídolos?

“Sempre fui muito fã do Iniesta, do Xavi, tinham uma magia no meio-campo. Sabiam todos os atalhos e tinham qualidade quando chegavam na frente. Aquilo sempre me encantou e me encanta até hoje. Gosto muito do Arturo Vidal, é um jogador muito aguerrido e de raça. Tem qualidade na marcação e na chegada. É nesses caras que eu me inspiro”.