Brasil foi eliminado após derrota para a Bélgica (FIFA/Getty Images)

Vivemos uma noite de luto que deverá perdurar por um bom tempo. A derrota da seleção brasileira para a Bélgica será mais uma daquelas que ficará marcada na história, mais uma cicatriz no peito calejado, que tanto venceu, mas que também foi obrigado a conviver com derrotas — afinal, o futebol é assim.

Será necessário colocar a cabeça no lugar e saber extrair algo positivo de mais esse revés. E sim, isso é possível.

Quem me acompanha sabe que sempre fui defensor do futebol planejado. Na derrota da Alemanha, outro dia, escrevi falando sobre as lições que ficariam para o futebol do país e sobre a reinvenção que o trabalho precisaria ter para um retorno forte no próximo ciclo. E com o Brasil não pode ser diferente.

Chegamos à Copa do Mundo com grande expectativa, por um trabalho já consolidado do técnico Tite e de sua comissão técnica, que se consolidou por conta dos resultados, mas que não pode ser considerado fiasco por conta dele.

Vivemos um processo de reconstrução, fruto de anos de retrocesso, que não é tão simples de ser apagado. Perdemos, sim, para uma geração promissora e para um país que não mais engatinha no cenário mundial, como vem mostrando passo a passo a sua força. Tivemos dose de apatia, mas, dentro de campo, mostramos uma evolução que há tempos não tínhamos.

A Copa do Mundo de 2018 serve de aprendizado, não só para o Brasil, como para todas as grandes potências do futebol mundial. Alemanha, Espanha, Argentina, Portugal, Uruguai, todas se foram antes ou junto de nós, muitas delas com expectativas aquém do que apresentaram dentro da competição.

O futebol reativo por vezes venceu, o “tiki-taka” foi derrotado. O panorama mostrou que não há receita pronta e que o grande segredo está em saber se reinventar. E é isso que será preciso para o próximo ciclo.

Não há a necessidade de mudanças e sim de reinvenção. Sem segredos.

Tem que ser dada a sequência ao trabalho de Tite. O planejamento, mais do que nunca, terá que ser sagrado.

Com o trabalho de Adenor e sua comissão técnica, fizemos uma Copa do Mundo diferente das últimas e não sofremos mais por fiasco, mas sim por decepção. E isso já é um sinal de evolução.