Cristovam tem se destacado pelo novo clube (Divulgação/Bucheon FC)

Um dos destaques da campanha do Paraná no acesso à Série A, no ano passado, o lateral-direito Cristovam vive um grande momento na carreira. Depois de uma curta passagem no primeiro semestre no Suwon Bluewings, o jogador foi emprestado ao Bucheon FC, também da Coreia do Sul, até o final da temporada, e vem se destacando em uma nova função, atuando como atacante.

“É até engraçado [o fato de atuar no ataque]. Eu vinha assistir alguns jogos do clube, mas nunca pensei em jogar aqui. Um dia estava acompanhando a partida e o treinador disse que me viu jogar e perguntou se eu tinha interesse em vir para cá, pois podia render como atacante. Eu pensei bastante, joguei muito como lateral, apesar de ter atuado na frente na infância. Aceitei, agora estou feliz e tenho aprendido bastante”, afirmou Cristovam em entrevista ao Mundo Afora da Banda B.

Mas nem tudo foi tranquilo na passagem pelo futebol asiático. A adaptação no início, quando chegou ao Samsung Bluewings, foi um pouco complicada, por conta do estilo diferente da metodologia de trabalho no país. “No começo foi um pouco difícil, foi complicado. No time que eu estava, tentavam consertar tudo. Com todo respeito, estamos para aprender, mas exageravam em algumas coisas. Ficava meio chato, eu queria voltar na primeira semana. Foi bastante complicado o início no outro clube”, contou o atleta.

Destaque pelo bom desempenho tanto defensivamente quanto ofensivamente com a camisa do Tricolor no ano passado, Cristovam não encontrou dificuldades na nova função. Logo no primeiro jogo, contra o Busan IPark, pela segunda divisão da K-League, ele balançou as redes duas vezes.

“Eu sempre chegava muito cansado no ataque. Conseguia dar assistência, mas chutar para o gol era difícil. Aqui, treinando de atacante, comecei a treinar finalizações e acertar o gol. Eu parei para pensar que o atacante corre menos, se ele souber se posicionar, ele vai fazer mais gols. Eu entrei no segundo tempo, pois estou pegando ritmo, sobrou duas bolas e eu marquei. Está sendo uma boa adaptação, importante. Se um dia voltar para a lateral, vou saber finalizar mais”, comentou o agora atacante.

Agora tendo mais uma opção para poder atuar em campo, Cristovam não descarta o retorno ao Paraná no fim da temporada e espera seguir escrevendo sua história no clube. “Eu tenho mais um ano e meio de contrato. Foi um grande ano da minha carreira. Eu sou um jogador que sempre trabalhei e esperei pela oportunidade em um grande clube. Tive a felicidade do Paraná me dar a chance em uma temporada importante. Agradeço ao presidente e diretoria por tudo que fizeram por mim. Fui muito feliz de jogar no clube e espero um dia voltar”, finalizou.

Confira a entrevista completa com o jogador Cristovam: 

Como tem sido a sua adaptação e a sua vida aí na Coreia do Sul?

— É um lugar maravilhoso, muito tranquilo. Eu e a minha esposa estamos gostando muito. Temos aprendido muito com a cultura do respeito, tem sido um ano muito importante para mim.

Como é o tratamento com os brasileiros que vão jogar aí? Foi difícil no início?

— No time que eu estava, tinha quatro treinadores. E eu tive alguns problemas por não aceitar algumas coisas que eles falavam. Quando você vem para cá, não sabe dessa cultura. Agora, com sete meses, já aprendi como é. Tem muita diferença. No começo há um preconceito, mas quando você começa a fazer gols e jogar bem, eles passam a te respeitar. Mas, primeiramente é importante você cumprir a função tática que te pedem.

É complicada essa relação com quatro treinadores no mesmo time?

— Uma cabeça pensando é difícil, imagina quatro. É um para bola parada, outro para o jogo rolando. O primeiro treinador fica só sentado, enquanto outro fala. É uma questão de respeito com o mais velho. Eu não estava preparado. O intérprete me ensinando a dar passe abaixado, eu pensei que não era para mim isso aqui. Mas tinha um contrato de um ano a cumprir por aqui. Agora estou feliz no meu novo clube.

Você sempre foi um jogador elogiado tanto na fase defensiva, como na ofensiva, essa qualidade ajudou na transição para o ataque?

— Eu sempre gostei de ter equilíbrio dentro de campo, para ter elogio na marcação e no ataque. Aqui na Coreia do Sul é diferente, o estrangeiro é muito exigido. O outro time jogava com três zagueiros e eu não tinha cobertura nenhuma. Falei para o meu empresário que conseguiria segurar um, mas três era impossível. É difícil jogar na lateral aqui, pois é sobrecarregado.

Um pouco antes de acontecer essa saída do Suwon para o Bucheon FC, houve alguma expectativa de retorno ao Paraná?

— Teve a expectativa de voltar, mas eu sou um jogador que gosto de cumprir meus contratos. Eu gostaria de mostrar meu futebol totalmente aqui na Coreia do Sul. Surgiu essa oportunidade de ficar e acho que tomei a decisão certa. Estou na torcida pelo Paraná, jogar lá é uma felicidade para qualquer jogador

Você tem acompanhado o Tricolor à distância?

— Muitas vezes eu acordo cedo para assistir e torcer, pois tenho também muitos amigos no clube. Sabemos que o Brasileirão é difícil, mas eles têm se dedicado bastante. Fica a minha torcida para que as vitórias venham e o time possa continuar na Série A.

Você sempre deixou claro que o teu sonho era jogar a primeira divisão. Se o Paraná conseguir se manter na elite, tem o desejo de realizá-lo no ano que vem?

— Seria um sonho jogar a Série A pelo Paraná. Vivi tudo aquilo na Série B, de estádio cheio, muitas pessoas não acreditando em nós e a torcida fazendo aquela festa linda. Nós sabemos o quanto eles sofreram junto conosco. Fomos felizes de conseguir o acesso e seria maravilhoso voltar e fazer tudo aquilo novamente, desta vez na Série A.

Independente se irá voltar ao Brasil ou permanecer na Ásia, dá para dizer que daqui para a frente o Cristovam será somente atacante ou pensa em voltar a jogar de lateral-direito?

— Primeiramente eu quero aproveitar esses seis meses de aprendizado, mas eu penso em voltar a jogar de lateral. Foi a posição que alavancou a minha carreira, trabalhei muito para chegar no nível em que cheguei, então penso em voltar, chegar numa seleção brasileira em um dia, que é meu grande sonho. Vim para cá, mas fico no coração com a vontade de voltar um dia, jogar uma Série A e ser reconhecido como um dos grandes laterais do Brasil.

Ouça na íntegra o Mundo Afora do dia 27 de julho de 2018: