VENEZUELA – CARACAS

Uma cidade vazia, um país devastado pela crise. Escuridão que engole a capital depois das sete da noite. Poucas luzes acesas. Menos pessoas ainda andando nas ruas. As poucas que circulam durante o dia carregam um olhar vazio, passos largos e rápidos de quem quer fugir da crise, mas na verdade andam apreensivas nas ruas com medo da delinquência.

Tudo muito perigoso. Comércio que fecha às 16h para que os funcionários cheguem em casa antes da escuridão; medo de quem precisa enfrentar a fila do banco para sacar os raros bolívares soberanos que circulam no comércio; mulheres que andam agarradas a sua bolsa para evitar o roubo; uma população triste, medrosa e receosa de tudo!

Comer frango é para poucos, já que a carne é uma das coisas mais caras do país; o açúcar para adoçar o café com leite vem contado no café da manhã no hotel; mesas em frente às lanchonetes são a esperança de muitos. Restos de refeição, ficam apenas alguns segundos em cima da mesa. Alguém vem e os leva pra casa – eu presenciei isso, com o meu almoço!!

O combustível é barato, mas o transporte é péssimo!! Raras são as pessoas que tem carro novo. Mais raro ainda é encontrar um ônibus pelas ruas, e quando achamos um deles é em condições precárias.

Fila nas farmácias, mas não para comprar remédios, e sim comida e produtos de limpeza – os supermercados faliram!! Praticamente não há medicamentos à venda no país!! Uma população convalescida, atingida pela doença da miséria imposta por quem governa um país!

Me desculpe, Caracas. Só pude te ajudar humildemente com algumas doações de materiais de higiene que levei. Infelizmente a força de um ser-humano comum, como eu, não é maior do que a devastação criada em cima de uma nação.