Rhodolfo durante o primeiro clássico da final entre Coritiba e Athletico. (Divulgação/Coritiba)

No dia 05/08/2020, o Athletico conquistava o título de campeão paranaense de 2020. Venceu os dois jogos da final, o último no Couto, de virada. Mesmo dentro de uma cultura em que estamos viciados, onde a troca da liderança técnica, é a solução mais rápida e eficaz, do que um planejamento, nem digo a longo prazo, somente de um planejamento, os clubes exigem 3 pontos de seus treinadores, dentro de uma ideia de obrigatoriedade. A validade de um título de paranaense, provou-se aqui no estado que dura exatamente 8 dias para um treinador. Foi o tempo, da demissão entre Barroca, que saiu do Coritiba, até Dorival ser demitido Athletico.

As duas equipes chegam muito parecidas para o encontro da décima rodada, com o mesmo número de pontos e o mesmo número de gols marcados. No futebol as circunstâncias favorecem quem tem a maior sorte.

O que é a sorte?

A sorte é o encontro catastrófico de preparação, oportunidade e coragem.

Por que catastrófico?

Porque para unir estes 3 componentes, não pode tudo, ir muito bem. Preparação se dá em qualquer tempo, em toda estrutura e projeto, desde que a organização, trabalhe para uma única visão. Isso não é uma realidade aceitável em muitos clubes. Não por opção, mas por desconhecimento.

A oportunidade não se acha em meio as lindas paisagens do futebol, mas sim em momentos difíceis, de extrema pressão, onde o atleta em si depende muito menos de sua capacidade intrínseca, e permite-se estar mais receptivo a novas ideias, novos conceitos ou uma forma nova de jogar, sugestões e opiniões que possam gerar mudanças que levem o clube para o outro extremo da realidade atual. Ou seja, onde o diferente é bom. Lembre-se o Flamengo campeão brasileiro do ano passado, foi assim.

Já a coragem é um participante que “tempera” a mudança, transformando o momento em algo saboroso para ser vivido, e não pesado de ser encarado. O Athletico e Coritiba, foram preparados através dos maus resultados neste início de brasileiro, e chegam juntos a uma oportunidade que somente um poderá aproveitar. A coragem será o âmago que fará a balança do resultado pender para a equipe mais empoderada disto. Neste jogo de xadrez, os peões tem a força de mover-se sozinhos, mas nem sempre a coragem de ir até o final do tabuleiro, e se tornarem “cavalos, bispos, torres ou rainhas”. Este clássico, definirá bem a máxima de “quem é quem”.