Após um período de suspensão de produções e várias incertezas em relação ao meio artístico, a atriz Isis Valverde, 33, pode comemorar. Além de retomar as gravações de “Amor de Mãe” (Globo), paralisada em março por causa da pandemia, ela está revendo sua primeira protagonista na faixa das 21h, a Ritinha, de “A Força do Querer”.

“Era uma personagem muito desafiadora. Primeiro pelo jeito livre dela: Rita era uma mulher que seguia seus impulsos e lidava com as consequências deles depois. É uma entrega muito grande ao presente, ao momento. E segundo que ela era uma sereia! Interpretei uma sereia com cauda e tudo que tinha direito [risos].”

A trama de Glória Perez, que foi transmitida pela primeira vez em 2017, tem Ritinha como um dos três pilares femininos de toda a história. A personagem, no entanto, foi a mais enigmática para o público. Ela diz acreditar que é uma sereia, filha de um boto, e segue seus desejos de uma forma bastante livre.

Para Isis Valverde, o fato de ela se ver como uma sereia, faz com que a forma de ela amar e se apaixonar seja diferente da nossa. “Não dá para enquadrá-la como mocinha, nem como vilã. Ela é uma força da natureza. A Ritinha cria suas próprias leis, é totalmente impulsiva e livre”, aponta a atriz, que diz que Ritinha não se trai.

Foto: Reprodução/Twitter

A preparação para a personagem, porém, foi bastante desafiadora para a atriz. Como uma sereia, ela teve que fazer curso de apneia para ficar o máximo possível debaixo da água nas cenas em que nadava com a cauda de sereia. Ela diz que começou com apenas 12 segundos e chegou a pensar que não conseguiria.

“Foi um processo intenso de preparação, mas consegui evoluir e ficar até dois minutos em apneia em movimento. Em estática consegui ficar quatro minutos. Achei no início que não conseguiria. Foram duas horas de treino por dia durante três meses”, recorda ela, que ainda teve que se acostumar a nadar com a cauda.

Outra característica marcante da personagem foi o carimbó. A dança, típica da região Norte do país, ficou famosa graças a Ritinha, que na trama é original de Parazinho, no Pará, e nem precisava de música para começar a rodar sua saia. Era em festa, na sala de casa, para seduzir homem e mesmo para distrair filho.

Para Isis, um dos presentes que ela guardou da personagem: “Eu me emocionei quando dancei carimbó pela primeira vez. Como tivemos a oportunidade de visitar algumas cidades da região Norte, andei por elas para conhecer mais da cultura. Eu me apaixonei pela culinária local, fiquei louca para provar de tudo.”

“A Força do Querer” é a segunda reprise que a Globo usa na faixa das 21h desde a suspensão de “Amor de Mãe”. A audiência, no entanto, não tem empolgado tanto quando sua antecessora, “Fina Estampa” (Globo, 2010-2011), com média de 29 pontos do Ibope –cada ponto equivale a cerca de 74 mil domicílios.

O número é inferior aos 34 pontos da reapresentação de “Fina Estampa” e aos 36 pontos da primeira exibição de “A Força do Querer” (na época, cada ponto representava 70,5 mil domicílios).

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Embora animada em poder rever Ritinha, Isis Valverde já afirmava, no início das reprises, que talvez não pudesse acompanhar a nova exibição, apesar de já eleger as cenas que gostaria de assistir: “As cenas como sereia. Foi uma preparação intensa para conseguir chegar naquele resultado. É muito bom revê-la”.

A dificuldade, no entanto, pode ficar por conta da retomada das gravações de “Amor de Mãe”, na qual Isis Valverde dá vida a enfermeira Betina. O retorno dos artistas ao set de filmagens teve início do mês passado, apesar de a trama estar prevista para voltar com episódios inéditos apenas em 2021.

Segundo a atriz, as gravações têm sido uma “experiência, cercada de cuidados no set, trabalhando com equipe reduzida, tudo para garantir a segurança de todos. Apesar disso, ela afirma que está muito feliz de voltar ao trabalho, rever os colegas e retomar a história, que, segundo ela, ainda guarda muitas surpresas.

“A pandemia não só teve impacto na nossa maneira de trabalhar, como também na história que estamos contando, já que abordaremos o novo coronavírus na trama. Isso é importante, mostra como a arte não está descolada da realidade. Justamente por isso arte e cultura são tão relevantes, são maneiras de fazermos sentido do mundo a nossa volta.”