Gloria Maria tem uma trajetória de 50 anos no Jornalismo. Já cobriu inúmeras situações, desde conflitos em diversos países do mundo até transições governamentais no Brasil.

Nesta segunda-feira, 18, em Conversa com Bial, que foi realizada por chamada de vídeo por causa da pandemia do novo coronavírus, a apresentadora do Globo Repórter desabafou sobre o momento político pelo qual o País está passando.

Glória Maria – Instagram

“As coisas que ouço agora, para mim, são impensáveis, Pedro! Dizer que o brasileiro está protegido porque se lava no
esgoto? Não, para mim, é além de qualquer imaginação. Tem coisas que acho que não estou vivendo para ver e ouvir isso!

Para mim, política é um nível tão alto e o que estou vendo agora é de uma tristeza…graças a Deus que não cubro política mais, porque acho que teria apanhado ou batido já. Com certeza”, declarou.

Sendo repórter desde a década de 1970, Gloria Maria também acompanhou o período da ditadura militar  no Brasil.

E Pedro Bial aproveitou para questionar sobre a maneira como o presidente Jair Bolsonaro tem tratado os repórteres. “Mesmo na ditadura, se um presidente mandasse você calar a boca, o que você responderia?”, disse. A jornalista foi enfática: “Eu não me calaria nunca. Eu diria para ele: ‘Vamos conversar, vamos falar juntos. eu pergunto e você responde”, disse.

O ano de 2020 não está sendo fácil para ela. Momentos antes do carnaval, a mãe de Gloria Maria faleceu. “A minha mãe passou mal devido a uma insuficiência respiratória, que não sei se já era coronavírus, e, no meio do caminho para o Hospital Pró-Cardíaco, ela morreu”, relembra.

A jornalista se emocionou ao falar sobre a situação que vive. “Alguma coisa está acontecendo na minha vida que é muito mais que a pandemia. Está acontecendo tudo ao mesmo tempo”, lamenta. No fim do ano passado, Gloria Maria descobriu, repentinamente, que estava com um tumor no cérebro e teve de passar por cirurgia.

“Graças à Deus escapei mais uma vez e já estou terminando a imunoterapia. Como eu sobrevivi, não sei, é só Deus quem sabe”, conclui.