Antes de partir, aos 27 anos, o garoto James Marshall Hendrix, Jimi Hendrix, teve tempo para tirar a guitarra do único contexto em que ela poderia ser vista até então, um instrumento do gênero musical que tinha a rebeldia no foco, e elevá-la à condição de um dos objetos personagem do mundo ocidental mais relevantes do século 20.

 

O músico Jimi Hendrix. Foto: Divulgação

 

Por tudo o que fez com uma guitarra nas mãos, de preferência a Fender Stratocaster gelo que, canhoto, usava de forma invertida, Hendrix se tornou uma lenda antes mesmo de ter fechado o ciclo para essa narrativa com sua morte, há exatos 50 anos.

Eric Clapton e Pete Townshend estavam juntos quando viram um show de Hendrix na Inglaterra, levado dos Estados Unidos por Chas Chandler, ex-baixista dos Animals, que o descobriu tocando em um inferninho de Nova York. Clapton se virou para Townshend e disse tudo pelos olhos inconsoláveis qualquer frase que significasse o mesmo que “acabou pra gente.”

Não havia acabado, até porque Hendrix não apenas recriava o papel da guitarra na humanidade como vinha com uma linguagem tão avassaladoramente particular que não brigaria com ninguém. Não seria os Beatles soterrando os grupos norte-americanos de doo-wop ou o folk inglês dos anos 1950. Hendrix dizia que, a partir dali, havia muito mais a ser explorado.

Morte

Há 50 anos, Hendrix chegou ao Hotel Samarkand, no número 22 da Lansdowne Crescent, em Notting Hill, Londres, com sua namorada Monika Dannemann depois de passarem quase a noite toda em uma festa. Em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas, ele morreria pouco tempo depois, aos 27 anos, deixando uma das obras breves mas mais respeitadas na música pop de sua era.