Foi incrível poder gravar com ele. Todo o processo de produção como Saulo foi satisfatório. Ele é uma pessoa muito generosa e, compartilhamos das mesmas inspirações musicais. Foi muito fluído”, conta com exclusividade, em vídeo, ao Música é o Canal, a multiartista gaúcha, Alfamor

Embora seja o seu primeiro álbum, Alfamor já foi gravada por Tulipa Ruiz e Adam Jodorowsky em parceria com Ava Rocha, Saulo Duarte e Gustavo Ruiz. Além de ter integrado ao lado de oito mulheres, a banda carioca, Xanaxou.  (Foto: Bárbara Bragato)

Radicada em São Paulo, a cantora relembra como foi o processo empírico do projeto que, inicialmente, seria um single, e hoje, é celebrado como um dos principais álbuns lançados em 2020. 

Embora seja declaradamente feminista, dois homens são essenciais na elaboração do álbum que, segundo a própria artista, foram os responsáveis para que ela assumisse o microfone: o paraense Saulo Duarte e o baiano Mateus Aleluia.  

Eu, como feminista, sou muito apegada ao apoio entre as mulheres. Mas, realmente, no meu caso, a entrada na música, se deu por Saulo Duarte e o Mateus Aleluia. Foram dois homens que me abraçaram, me pegaram pela mão e me apoiaram de uma forma que eu nem sei como agradecer. Será um agradecimento eterno”, revela de forma singela. 

Na contemporaneidade, Saulo Duarte é uma figura conhecida em toda a cena da música. O guitarrista integra a banda de artistas como, Céu, Russo Passapusso, Curumin, Anelis Assumpção, entre outros. Radicado há mais de dez anos em São Paulo, ele ganhou projeção com a banda A Unidade. E além da parceria com Alfamor, o artista assumiu sua carreira solo em 2018, com o lançamento do álbum, Avante Delírio (YB Music). 

O Saulo foi uma pessoa que me puxou, se mostrou interessado pela minha obra e fez esse incentivo para gravar e se dispôs a produzir. Ele é um divisor de águas no meu caminho“, afirma.   

Mateus Aleluia – o eterno Tincoã – é uma das figuras essenciais para compreender a trajetória da música brasileira a partir da década de 1960. Ex-integrante do trio vocal Os Tincoãs, hoje, em carreira solo, há 20 anos, ele retornou ao Brasil, após uma temporada na Angola e recentemente, com 76 anos de vida e mais de meio século dedicado à música afro-barroca, às pesquisas e filosofias africana, ele lançou em julho, pelo Selo Sesc, o álbum, Olorun.

Seu Mateus Aleluia, é uma pessoa que eu tenho no meu pedestal, tanto musicalmente quanto pessoa. Pelo caminho que ele traçou na vida, no espiritual que ronda essa pessoa maravilhosa. Eu tive essa sorte de me aproximar e ter por perto. A partir do momento que ele me incentivou a cantar, foi impossível deixar passar. Foi quando eu criei coragem para soltar a minha voz“, manifesta a artista que compôs a faixa de Paô (Alfamor/Saulo Duarte) e encorajada pelo produtor, convidou Mateus Aleluia para participar da faixa – lançada em single

Gravado entre 2019 e 2020, outra curiosidade de ONÇA (YB Music) é que, além de São Paulo, a única faixa gravada fora da concret jungle, foi PaôA faixa que encerra o álbum em forma de celebração, traz ainda a percussividade do grande mestre, Gabi Guedes. Desde a década de 1990 – o baiano que foi educado na infância ao lado da Mãe Meninha do Gantoisé considerado um dos principais percussionistas do mundo.

Entre estúdios, viagens e elucubrações, ONÇA recebe ainda, a participação da banda argentina, Perotá Chingó, na faixa Morada, onde a cumbia e o chamamé porteño, ganham peso com as referências do dub e ska, na parceria de Alfamor com a dupla porteña del Rio de la Plata.

Outros nomes efêmeros marcam presença em ONÇA, entre eles, MãeAna, Arthur Braganti, Thomas Harres, Klaus Sena, Mau, João Leão, Zé Nigro, Victória dos Santos, Sthe Araújo, Luisa Lembruger, Bruno CapinanCamila Costa e o Poeta Arruda.

Cantora, compositora, percussionista, produtora visual, tatuadora e multifacetada. Alfamor faz a (re)descoberta dos seus próprios sentidos em sua estreia na discografia brasileira. De forma despretensiosa, porém, com a potência sonora que afirma sua viagem afro-latina-experimental. Assista a entrevista!