Rita Cadillac faz 66 anos em 13 de junho, mas ela se recusa a chegar a esta idade agora. “Já que não vou fazer festa, acho que vou matar este ano”, diz a atriz e dançarina, em tom de brincadeira. Ela afirma que também adiou outras coisas por causa da pandemia. Entre elas a estreia de uma peça de teatro e o lançamento de sua autobiografia, que faria parte das comemorações de seu aniversário.

Foto: Reprodução/Instagram

Enquanto isso, ela “vive nas lives”, promove restaurantes amigos na internet, ajuda quem precisa e limpa a casa o tempo todo. Na semana em que a quarentena foi anunciada e o comércio foi fechado, Cadillac estava com cabeleireiro marcado. “Dancei. Ia fazer as fotos para a capa do livro. Acordei numa sexta-feira com a notícia de que eu não podia fazer o cabelo, nem nada. Tudo foi embora.”

O livro está pronto e deve ter mais revelações sobre a vida dela, além de tudo o que ela já contou. “São 47 anos aí, difícil não saber muito de mim, mas tem coisas minhas, da minha vida”, diz Cadillac, que solicitou o auxílio emergencial de R$ 600 pago pelo governo federal.

“Pedi o auxílio sim. Como cidadã, pedi sim e, graças a Deus, veio em muito boa hora, porque ajudou a pagar a luz, a pagar telefone, a pagar tudo”, disse a ex-chacrete ao quadro A Hora da Venenosa, no Balanço Geral (Record), em meados de maio. “Eu, como cidadã, achei que tinha esse direito, e foi aceito. Estou sem trabalhar desde março, então só sai dinheiro, não entra.”

Sobre o livro, Rita Cadillac afirma que não planeja revelar nada antes do tempo. “Já está difícil ganhar dinheiro agora. Vou deixar tudo guardadinho para o lançamento.” Se a quarentena demorar muito, ela promete começar o volume 2. “Bom, já falei que vai ter quer um capítulo sobre a pandemia. Ninguém que está vivo neste planeta passou por uma dessas”, acrescenta.

Enquanto esses projetos mais ambiciosos não se concretizam, Cadillac diz que tenta ganhar dinheiro na internet. “A gente faz uma live aqui outra ali e vai vendendo o peixinho da tia.” O que a artista mais sente falta são os shows, que foram todos cancelados.

“Eu também estava ensaiando a peça de teatro, uma comédia.” Seria uma volta aos palcos, já que ela estreou no teatro, em 2018, na peça “Luz Del Fuego” -nome da primeira dançarina que fazia nu no palco na América Latina. Pensando num futuro bem distante, ela ensaia em casa o novo roteiro. “Sou otimista, mas sou bem realista também. Tudo só vai voltar o ano que vem. E a gente sabe que show, teatro e futebol serão as últimas coisas a voltar. Jogo, ainda, pode ser que aconteça sem plateia”, pondera.

Cadillac passou as fases de quase todos que estão em isolamento. Pensou que aquilo duraria pouco e passou a dormir às 6h, acordar meio-dia e almoçar às 17h. “Você dorme na intenção de acordar de um pesadelo, muito real, mas é um pesadelo. Eu acordava assustada achando que tinha perdido show. A gente quer acordar com outro mundo, e ele não vem.”

Essa fase passou, e ela viu “que tinha de voltar para o mundo real”. “Limpo a casa três vezes por dia, lavo roupa todos os dias. Porque se vou ao mercado e a farmácia, a roupa que volta da rua, vai para máquina. Tem plantas para molhar”, conta Cadillac sobre parte de seus afazeres nesta quarentena. Ela diz ainda que prepara sua própria comida. “Faço minha comidinha sim, mas nem sempre. Ontem, teve cachorro-quente, mas fui eu quem fiz”, diz a atriz, aos risos.

Ela não deixa de ser requisitada pela internet. Faz live com os amigos e colegas e, às vezes, sozinha: “Outro dia eu montei minha piscininha de plástico, estava um dia lindo, fiz uma live de lá”, conta a ex-chacrete, que foi convidada para live de Rita Lee e de Roberto de Carvalho em celebração aos 40 anos do disco de 1980 que revelou “Lança Perfume”. Cadillac gravou um disco com as músicas de Lee, chamado “Rita Canta Rita”, há 20 anos.

Até o mundo voltar ao normal, ela diz que é preciso se adaptar e caçar o que fazer. “Nill Marcondes pensou em fazermos um filme pelo celular sobre a pandemia. Ele vai me dirigir e disse que já está escrevendo o roteiro”, diz ela sobre o ator com quem trabalhou em “Carandiru”(2003). “Teremos que nos reinventar.”

Quem vê o Instagram de Rita Cadillac pode imaginar que ela passa o dia comendo ou promovendo restaurantes. Ela até foi criticada por internautas quando decidiu fazer entregas de delivery de um restaurante português no meio da quarentena.

“Faço essas coisas para ajudar. Se todo mundo fizer alguma coisa para o outro, vamos passar por essa e ainda melhorar a vida de mais alguém”, reflete. “Tirei foto sem máscara, mas fiz tudo certo com álcool em gel e tudo o mais. É segurança total, não tem abraço, nem beijo não.”

Cadillac promove restaurantes vizinhos, como a Esquina do Fuad, na Santa Cecília, e até de outros estados. “Tem uma pizzaria do Espírito Santo que ajudo também. Tem um amigo meu que faz marmita light. Esse pessoal também paga aluguel. Se posso, eu vou ajudar”, diz.

E Cadillac faz até mais para ajudar, mas não conta. “Mostro restaurantes porque a ideia é ajudar a divulgar. Outro dia eu, meu médico, alguns amigos e Fofoquito passamos o dia fazendo máscara. Doamos mais de 2.000, mas não precisa postar isso”, afirma. “É, vamos ver onde vamos parar. Temos que nos reinventar.”