Com o fim do casamento de Gusttavo Lima e Andressa Suita, a internet passou a comparar o caso com o de Luísa Sonza, que terminou seu casamento com o humorista Whindersson Nunes em abril deste ano, mas foi bombardeada com suposições e acusações após o divórcio. Nas redes sociais, a cantora chegou até a ser acusada, sem provas, de traição. Quando ela assumiu o namoro com o cantor Vitã0, haters até criaram multirões para que o seu trabalho fosse “cancelado” e a sua música desprestigiada.

Andressa e Gusttavo – Instagram

Na terça-feira (13), o caso Luísa voltou à tona quando internautas passaram a questionar a atitude de Gustavo Lima de romper seu casamento com Andressa Suita. Segundo ela, o pedido de divórcio veio sem qualquer queixa ou motivo aparente. Já o cantor, ao se pronunciar sobre a separação nas redes sociais, afirmou que tentou de tudo para manter seu casamento e que não estava feliz.

Nunes e Sonza – Reprodução

A comparação com o caso Luísa virou até o tópico mais comentado do Twitter no Brasil.  A cobrança da internet foi para que Gusttavo Lima fosse cobrado tanto quanto sua colega, já que o sentimento é de que os dois casos não repercutiram da mesma forma e são vistos de forma diferente. Internautas colocaram responsabilidade afetiva e machismo como as principais causas para que a cobrança e o efeito do cancelamento não seja o mesmo.

De acordo com a advogada e membro da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB-PR, Ligia Ziggiotti, essa diferença de tratamento que existiu em relação ao caso de uma artista mulher e de um homem pode ter haver com algumas questões de gênero. A especialista acredita que há uma expectativa muito mais forte em relação as mulheres para a preservação do vínculos familiares, havendo uma construção de um comportamento feminino de masculino nessas relações conjugais.

“Do modelo feminino nessas relações conjugais se espera que tenha uma dedicação muito maior ao outro, que faça mais concessões, que aja sempre pela preservação da união, que faça renúncias ao próprio desejo”, afirmou a especialista. Para Ligia, essas renúncias são bastante visíveis, por exemplo, quando uma mulher se torna mãe, onde ela muitas vezes precisa desistir de questões profissionais.“O modelo masculino é nutrido por discursos e práticas recorrentes que são diferentes dessas, com a lógica da separação, com uma lógica de maior respeito ao individualismo dos homens nas relações, é muito comum que a sociedade seja mais gentil em relação aos homens”, diz a advogada.

Cultura do cancelamento

Em relação ao cancelamento sofrido por Luisa Sonza, Ligia argumenta que quando há muitos discursos que reforçam esteriótipos e representações nas redes sociais, isso tem efeito sobre quem está lendo esses comentários e está se construindo como pessoa. Segundo ela, as redes sociais fornecem a possibilidade de fala, mas isso pode ter um efeito colateral bastante intenso como no prejuízo para a carreira de uma artista, já que agora os próprios artistas fornecem o conteúdo da sua intimidade conjugal, parental com frequência. “As pessoas se sentem parte daquela relação porque acompanham esse conteúdo que está sendo providenciado pelo próprio artista ou pela própria artista”, ressalta Ligia.

De acordo com a especialista, o cancelamento de Luisa fortalece discursos de ódio e opressão, com uma ânsia de participação popular em um encaminhamento íntimo da vida conjugal de personalidades públicas. Para ela, acontecimentos como esse aumentam a responsabilidade de formadores e formadoras de opinião em incrementar a qualidade das informações. “Por exemplo, conduzir para as pessoas de que o direito de se divorciar é um direito fundamental, tanto quanto você constituir união com alguém, você destituir também pode ser uma maneira de você realizar a sua dignidade, conseguir concretizar de alguma maneira um caminho de maior felicidade”, afirmou a especialista.

Assista ao vídeo que faz a comparação dos casos Luisa Sonza e Gusttavo Lima: