À luz da divulgação das polêmicas mensagens trocadas entre acusadores e magistrados da Lava Jato, o cineasta José Padilha disse que sua visão sobre a operação mudou e que teria retratado o juiz Sergio Moro de forma diferente em sua série O Mecanismo, da Netflix, inspirada nas investigações, se tivesse as informações que tem hoje.

(Foto: Divulgação)

 

No entanto, embora afirme que “cometeu um erro de julgamento” sobre Moro (a quem já chamou de “samurai ronin”, em alusão elogiosa, segundo suas próprias palavras, à “independência política que balizava sua conduta”) e a Lava Jato, o cineasta diz que sua visão sobre o ex-presidente Lula e outros políticos investigados pela operação não mudou. “Considero o ex-presidente Lula um picareta. Qualquer pessoa razoável não consegue fingir que Lula é honesto”, disse, em entrevista à BBC News Brasil.

Em diálogos atribuídos ao hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e a Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, publicados pelo site The Intercept Brasil, o então juiz federal teria dado instruções à Procuradoria, sugerido mudanças nas fases da investigação e antecipado decisões – coisas que, para juristas ouvidos pela BBC News Brasil, contrariam o Código de Processo Penal, a Lei Orgânica da Magistratura e mesmo a Constituição Federal.

Após a publicação das supostas mensagens, Moro se defendeu dizendo que “não há nada demais” nas conversas vazadas.

Padilha disse ainda não ter dúvidas de que o juiz “cometeu um monte de erros” e que vê a operação Lava Jato como “um embate entre um juiz e alguns procuradores justiceiros e uma quadrilha de políticos corruptos”. Diz também que a atitude de Moro de “ajudar a acusação” é “claramente estúpida” porque “juízes devem ser neutros” e porque “as evidências eram muito claras”.

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