Quatro escritores decidiram deixar a agência Blair Partnership, a qual a autora de “Harry Potter”, JK Rowling, faz parte, após comentários considerados transfóbicos feitos por ela recentemente. Os profissionais dizem que pediram à empresa que se posicionasse a favor da igualdade dos trangêneros, mas ela não o fez.

Segundo o jornal Daily Mail, os escritores Fox Fisher, Drew Davies e Ugla Stefanía Kristjönudóttir, além de um quarto que prefere permanecer anônimo, teriam pedido que a empresa fizesse uma declaração pública sobre o assunto, após JK Rowling expressar “profundas preocupações” sobre o ativismo transgênero.

“Após nossas conversas com a empresa, sentimos que eles não podiam se comprometer com nenhuma ação que julgássemos apropriada e significativa”, afirmou o grupo em comunicado, acrescentando que a decisão de deixar a agência não acontece de forma leve e que eles estão tristes e desapontados.

Foto: Reprodução/Instagram

“A liberdade de expressão só pode ser mantida se as desigualdades estruturais que impedem a igualdade de oportunidades para grupos sub-representados forem desafiadas e alteradas”, afirmam os autores. Um deles chegou, inclusive, a sugerir um treinamento com o grupo All About Trans, mas foi rejeitado pela empresa.

Um porta-voz da Blair Partnership afirmou ao jornal The Guardian que a empresa está desapontada com a decisão dos quatro escritores. “Apoiamos os direitos de todos os clientes de expressar pensamentos e crenças, e acreditamos na liberdade de expressão. A publicação e as artes criativas dependem dessas coisas.”

A autora de “Harry Potter” tem sido criticada há algumas semanas por causa de uma série de tuítes feitos por ela em resposta a um artigo de opinião do site de desenvolvimento global Devex, que deixou Rowling ressentida com a manchete “criando um mundo mais igualitário pós-Covid-19 para pessoas que menstruam”.

“‘Pessoas que menstruam’. Tenho certeza que costumava haver uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude? Wumben? Wimpund? Woomud? (modificações propositais da palavra “Woman”, inglês para mulher)”, disse Rowling na ocasião.

Críticos apontaram que as visões de Rowling igualavam feminilidade à menstruação, enquanto muitos homens transsexuais menstruam, e muitas mulheres, não. Ela então, rebateu dizendo que apagar o conceito de sexo “remove a capacidade de muitos de discutir significativamente suas vidas”.

As declarações de JK Rowling acabaram sendo criticadas também por atores de sua famosa franquia de filmes, como o protagonista Daniel Radcliffe, 30. “Como ser humano eu senti necessidade de dizer algo. Mulheres trans são mulheres. Está claro que precisamos apoiar as pessoas transgêneros e não-binários”, postou.