A educação pública do Paraná ganhou destaque nacional, especialmente no início da pandemia de covid-19, com a instituição das aulas online em casa para os alunos da rede estadual.

Qualidade do ensino na rede estadual do Paraná é acima da média nacional
O programa Inglês Paraná foi um dos investimentos da Secretaria de Educação e do Esporte (Seed).
Foto: Geraldo Bubniak/AEN.

O reconhecimento é consequência do investimento e comprometimento do estado com o direcionamento dos recursos para as melhorias de conteúdo, nos últimos anos, de olho no futuro dos cerca de 1 milhão de crianças e adolescentes atendidos nos colégios estaduais.

Somente nos últimos três anos, foi investido cerca de R$ 1 bilhão em infraestrutura no Paraná, cujos recursos foram aplicados em tecnologia e conteúdos ligados às necessidades atuais dos estudantes de toda rede, como por exemplo o aprendizado da língua inglesa, o acesso à educação financeira e maior proximidade com ciência e tecnologia por meio da robótica.

Não à toa, o Paraná foi o estado que mais evoluiu entre todos os brasileiros nas faixas de ensino fundamental e médio nos últimos anos, após dez anos estáticos no ranking, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino nas escolas públicas.

Entre os anos iniciais de ensino fundamental – até o 5º ano -, por exemplo, o Paraná lidera o ranking brasileiro entre as escolas estaduais, com 6,8, segundo avaliação do Ideb de 2019 (último período avaliado). Em 2017, período anterior, o estado aparecia em 5º lugar, com índice de 6,3.

Foco na educação multiplicadora

O aluno da rede pública Lincoln Santos, de 18 anos, sentiu o impacto nas finanças em poucos meses de aulas de educação financeira. De uma família que nunca teve costume de poupar, o adolescente do 3º ano do ensino médio no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, em Londrina, desfruta de mudanças concretas.

Ele convenceu a mãe a mudar de apartamento para poder diminuir a prestação da moradia e se livrar da inadimplência. “A prestação estava cara. Falei que tínhamos que mudar para pagar menos e agora o saldo está positivo”, comemora. Agora a família mora em um local mais compatível com o orçamento. “A meta é juntar dinheiro e comprar um imóvel que a gente consiga bancar.”

Lincoln é um exemplo de aluno multiplicador, como explica o professor de educação financeira Kiiti Ito. “Desde o início a ideia foi que eles levassem para casa e conversassem com pais, amigos, o que é educação financeira, pois temos mais de 60% das famílias brasileiras endividadas.”

Professor de educação financeira, Kiiti Ito.
Foto: Arquivo pessoal.

Nestas aulas, os alunos aprendem como usar cartões de crédito e débito, formas de investimento e novas moedas, além de economizar e ter uma relação saudável com o dinheiro. “Há um estigma de que educação financeira é estudar matemática. Mas ela trata mais de comportamento social”, explica o professor.

Redação x inteligência Artificial

Outro programa de destaque na rede de ensino estadual é a plataforma Redação Paraná. Desenvolvida pela equipe do Departamento de Tecnologia e Inovação (DTI) da Seed, é um importante incentivo à prática da escrita pelos alunos por meio de inteligência artificial. Contribui também com o cotidiano dos mais de 8 mil professores de Língua Portuguesa do estado.

Além de propor diversos modelos de redação e funcionar como um assistente virtual do professor, a plataforma Redação Paraná aponta eventuais correções, principalmente de ortografia e acentuação, antes de ser enviada. “Quando a redação vem, o programa já adiantou essa etapa, então me concentro mais na ideia, na argumentação”, afirma o professor Rafael Bughi, do Colégio Estadual São Paulo Apóstolo, em Curitiba.

Segundo o profissional, a plataforma implantada no início de 2021 teve grande aceitação. Como foi para Heitor Menino, 14, que acaba de concluir o 9° ano no colégio, com média 9.2 na disciplina de Língua Portuguesa.

“Ela é bem legal. Mostra os erros sublinhados e explica. Então, quanto mais a gente usa, mais aprende e menos erra, só melhora a redação”, avalia o violinista e futuro professor de História.

Paraná com o inglês na ponta da língua

Em paralelo ao domínio do idioma natal, o Paraná busca ser um estado bilíngue e investiu mais de R$ 12 milhões em um aplicativo que ensina digitalmente. Com o auxílio do Inglês Paraná, o estudante pode conversar, corrigir a pronúncia e ter ajuda para desenvolver fluência na língua inglesa. A plataforma é usada por cerca de 400 mil alunos pelo estado.

Joana Brandão, 17, do 3º ano do ensino médio no Colégio Estadual Visconde de Guarapuava, em Guarapuava, encontrou na plataforma o complemento que precisava para o aprendizado. “O aplicativo ajudou muito no inglês mais corporativo”, diz.

Ela ainda não trabalha, mas já sabe a forma ideal de se comunicar em uma entrevista de emprego em inglês, as perguntas mais frequentes e as melhores respostas. “Acredito que estou dominando muito mais a língua.” Joana já pensa também nos benefícios do idioma para a carreira que escolheu. “Quero ser médica e vai ser extremamente importante. Hoje a linguagem da ciência é o inglês.”

Comunicar erro

Comunique a redação sobre erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página.

Qualidade do ensino das escolas da rede estadual do Paraná é acima da média nacional

OBS: o título e link da página são enviados diretamente para a nossa equipe.