O cenário de queda de juros, aprovação da reforma da Previdência e trégua na guerra comercial levou o risco-país do Brasil a uma mínima em mais de seis anos nesta terça-feira (28). Após 15 quedas consecutivas, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos -derivativo que mede o custo de proteção contra um calote da dívida soberana brasileira- foi a 117 pontos, menor patamar desde 13 de maio de 2013.

O período antecedeu os protestos de junho de 2013 que marcaram o início da turbulência política no Brasil. Foi também a época que marcou início da piora da economia brasileira e levou a uma recessão. A melhora do CDS ganhou força após o Senado concluir, no último dia 23, a tramitação da reforma da Previdência no Congresso.

Somado aos temas locais, sinais de progresso nas negociações tarifárias entre Estados Unidos e China, menor chance de um Brexit desordenado e expectativas de mais cortes de juros nos Estados Unidos também ajudaram a diminuir a percepção de risco, o que reduziu prêmios na dívida brasileira e colaborou para a queda do CDS.

Por ser um derivativo de crédito que protege o risco de calote da dívida soberana, o CDS funciona como um termômetro para a aposta do mercado financeiro no país. Com o avanço da reforma da Previdência, investidores veem uma melhora na saúde fiscal do Brasil e, em consequência, na capacidade do Estado de pagar as contas.

A máxima do risco-país foi em 2015, quando o contrato de cinco anos chegou a 494 pontos. À época, a economia brasileira entrou em recessão técnica com a queda do PIB e a agência de risco Standard & Poor’s (S&P) retirou o selo de bom pagador do Brasil. Desde então, avaliação de investimento caiu mais três vezes, o que indica aumento risco de calote.

Com a volta do índice a níveis baixos, investidores esperam que as agências de crédito elevem a avaliação do país. Segundo as agências, no entanto, a mudança na nota de crédito depende de um crescimento econômico mais robusto.

Também nesta sessão, o dólar voltou a fechar acima de R$ 4 nesta terça-feira (29) após perder o patamar na véspera. O movimento reflete a realização de lucros e cautela de investidores antes das decisões sobre as taxas de juros brasileira e americana, divulgadas ambas na quarta (30). O Ibovespa seguiu a mesma tendência e perdeu os 108 mil pontos.

No exterior, o viés foi negativo, com dúvidas do mercado quanto ao acordo comercial entre China e Estados Unidos e quanto a um possível corte de juros do Fed, o banco central americano.

Segundo a Reuters, a fase um do acordo provisório entre chineses e americanos pode não ser concluído a tempo para assinatura na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) que vai acontecer no Chile entre 16 e 17 de novembro, como esperado pelo mercado.

Stock market chart, Stock market data on LED display concept

DÓLAR
compra/venda
Câmbio livre BC – R$ 3,9940 / R$ 3,9946 **
Câmbio livre mercado – R$ 4,0010 / R$ 4,0030 *
Turismo – R$ 3,9600 / R$ 4,1900

(*) cotação média do mercado
(**) cotação do Banco Central

Variação do câmbio livre mercado
no dia: 0,25%

OURO BM&F
R$ 200,000

BOLSAS
Bovespa (Ibovespa)
Variação: -0,58%
Pontos: 107.556
Volume financeiro: R$ 15,123 bilhões
Maiores altas: MRV ON (3,03%), RaiaDrogasil ON (2,24%), Gol PN (2,03%)
Maiores baixas: Magazine Luiza ON (-3,56%), Pão de Açúcar PN (-2,86%), Natura ON (-2,79%)

S&P 500 (Nova York): -0,08%
Dow Jones (Nova York): -0,07%
Nasdaq (Nova York): -0,59%
CAC 40 (Paris): 0,17%
Dax 30 (Frankfurt): -0,02%
Financial 100 (Londres): -0,34%
Nikkei 225 (Tóquio): 0,47%
Hang Seng (Hong Kong): -0,39%
Shanghai Composite (Xangai): -0,87%
CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -0,42%
Merval (Buenos Aires): -1,91%
IPC (México): 0,20%

ÍNDICES DE INFLAÇÃO
IPCA/IBGE
Setembro 2018: 0,48%
Outubro 2018: 0,45%
Novembro 2018: -0,21%
Dezembro 2018: 0,15%
Janeiro 2019: 0,32%
Fevereiro 2019: 0,43%
Março 2019: 0,75%
Abril 2019: 0,57%
Maio 2019: 0,13%
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,19%
Agosto 2019: 0,11%
Setembro 2019: -0,04%

INPC/IBGE
Setembro 2018: 0,30%
Outubro 2018: 0,40%
Novembro 2018: -0,25%
Dezembro 2018: 0,14%
Janeiro 2019: 0,36%
Fevereiro 2019: 0,54%
Março 2019: 0,77%
Abril 2019: 0,60%
Maio 2019: 0,15%
Junho 2019: 0,01%
Julho 2019: 0,10%
Agosto 2019: 0,12%
Setembro 2019: -0,05%

IPC/Fipe
Setembro 2018: 0,39%
Outubro 2018: 0,48%
Novembro 2018: 0,15%
Dezembro 2018: 0,09%
Janeiro 2019: 0,58%
Fevereiro 2019: 0,54%
Março 2019: 051%
Abril 2019: 0,29%
Maio 2019: -0,02%
Junho 2019: 0,15%
Julho 2019: 0,14%
Agosto 2019: 0,33%
Setembro 2019: 0,00%

IGP-M/FGV
Setembro 2018: 1,52%
Outubro 2018: 0,89%
Novembro 2018: -0,49%
Dezembro 2018: -1,08%
Janeiro 2019: 0,01%
Fevereiro 2019: 0,88%
Março 2019: 1,26%
Abril 2019: 0,92%
Maio 2019: 0,45%
Junho 2019: 0,80%
Julho 2019: 0,40%
Agosto 2019: -0,67%
Setembro 2019: -0,01%

IGP-DI/FGV
Setembro 2018: 1,79%
Outubro 2018: 0,26%
Novembro 2018: -1,14%
Dezembro 2018: -0,45%
Janeiro 2019: 0,07%
Fevereiro 2019: 1,25%
Março 2019: 1,07%
Abril 2019: 0,90%
Maio 2019: 0,40%
Junho 2019: 0,63%
Julho 2019: -0,01%
Agosto 2019: -0,51%
Setembro 2019: 0,50%

SALÁRIO MÍNIMO
Janeiro 2019: R$ 998,00