Pressionada pela alta de preços dos alimentos e das passagens aéreas, a prévia da inflação oficial brasileira registrou em outubro sua maior alta desde 1995. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15) acelerou para 0,94% no mês, após alta de 0,45% em setembro.

O resultado ficou acima da expectativa dos economistas, que era de uma alta de 0,83% para o indicador em outubro, segundo a mediana das projeções colhidas pela Bloomberg.

Foto Ag. Brasil

No ano, a inflação acumulada é de 2,31%. No acumulado de 12 meses até outubro, o índice também acelerou para alta de 3,52%, vindo de 2,65% em setembro.

O grupo de alimentação e bebidas subiu 2,24% na prévia da inflação de outubro, alta puxada pelos alimentos consumidos em domicílio (2,95%). Entre os alimentos, os principais destaques foram óleo de soja (22,34%), arroz (18,48%), tomate (14,25%), leite longa vida (4,26%) e carnes (4,83%).

Já as passagens aéreas registraram alta de preços de 39,9%, impulsionadas pela recuperação da atividade no setor.

Economistas ouvidos pelo Boletim Focus do Banco Central voltaram a elevar nesta semana suas projeções para a inflação de 2020, de 2,47% para 2,65%. Foi a décima semana seguida de aumento na projeção. Para 2021, a expectativa é que o indicador feche o ano em 3,02%.

Taxa de desemprego

A taxa de desemprego subiu de 13,6% em agosto para 14,0% em setembro, a maior da série histórica da Pnad Covid, pesquisa criada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para mensurar os efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho e a saúde dos brasileiros.

A população desocupada era de 10,1 milhões em maio, passou para 12,9 milhões em agosto e chegou a 13,5 milhões em setembro. Trata-se também do recorde da série, com aumento de 4,3% no mês e de 33,1% desde o início da pesquisa.

“Há um aumento da população desocupada ao longo de todos esses meses. Esse crescimento se dá em função tanto das pessoas que perderam suas ocupações, quanto das pessoas que começam a sair do distanciamento social e voltam a pressionar o mercado de trabalho”, afirma Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa.

A Pnad Covid tem metodologia distinta da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, pesquisa que mede a taxa oficial de desemprego do país e por isso os dados não são comparáveis. Mas a pesquisa tem sido acompanhada de perto pelo especialistas por ser divulgada com maior frequência do que a Pnad Contínua.

Em sua divulgação mais recente, a Pnad Contínua apontou para uma taxa de desemprego de 13,8% no trimestre encerrado em julho, com 13,1 milhões de desocupados.