Os preços dos alimentos subiram menos para o consumidor em março, mas ainda pressionaram o índice oficial de inflação do Brasil, apontam dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 0,16% no mês passado, após alcançar 0,83% em fevereiro.

Conforme o IBGE, um dos motivos para a perda de força foi a trégua da inflação da comida. A alta dos preços do grupo alimentação e bebidas foi de 0,53% em março, abaixo do aumento de 0,95% na divulgação anterior.

Foto: Felipe Menezes/Metrópoles

Considerando somente os alimentos consumidos no domicílio, o avanço dos preços desacelerou a 0,59%, após marcar 1,12% em fevereiro.

Mesmo com o alívio, o segmento de alimentação e bebidas ainda foi responsável por um impacto de 0,11 ponto percentual no IPCA de março. Trata-se da maior influência entre os nove grupos pesquisados no índice.

Historicamente, os preços dos alimentos costumam subir nos meses de verão devido a efeitos climáticos, como temperaturas elevadas e chuvas intensas.

As ocorrências tendem a reduzir a oferta de produtos no campo, pressionando a inflação ao longo da cadeia, até o consumidor final.

No início de 2024, esses reflexos do clima foram potencializados pelo fenômeno El Niño, disse André Almeida, gerente da pesquisa do IPCA.

“Problemas relacionados às questões climáticas fizeram os preços dos alimentos, em geral, aumentar nos últimos meses. Em março, os preços seguem subindo, mas com menos intensidade”, afirmou.

A desaceleração dos alimentos até foi maior do que a esperada por analistas do mercado financeiro. Por ora, projeções sinalizam um cenário mais favorável para os próximos meses, após os eventos climáticos do início do ano.

Em março, produtos tradicionais da mesa do brasileiro ainda pressionaram o IPCA. A inflação da cebola, por exemplo, acelerou a 14,34%, após alta de 7,37% em fevereiro. Já o tomate subiu 9,85% em março, depois de variação de 0,09% na divulgação anterior.

Os dois alimentos responderam pelos maiores impactos individuais no IPCA do mês passado (0,03 ponto percentual cada), ao lado dos planos de saúde.

De acordo com Almeida, os preços da cebola refletiram os baixos estoques no país e a entrada mais lenta de importações da Argentina.

Em relação ao tomate, o pesquisador do IBGE apontou que temperaturas mais altas aceleram a maturação do alimento e impedem o produtor de estocar as mercadorias por períodos mais longos.
Com as temperaturas mais amenas recentemente e a transição da safra de verão para a de inverno, a oferta ficou menor, gerando reflexos para os preços, segundo Almeida.

Outro alimento que ficou mais caro em março foi o ovo de galinha, que subiu 4,59%, após alta de 2,43% em fevereiro. Nesse caso, a demanda aquecida antes da Páscoa impactou os preços, indicou o pesquisador.

“O caso do ovo de galinha tem uma explicação própria: tratou-se de um período em que uma parcela da população faz a opção de não comer carne por questões religiosas, aumentando a demanda dessa proteína.”

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Preços dos alimentos sobem menos em março, mas ainda pressionam consumidor

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