O Paraná anunciou nesta segunda-feira (19) que mais de 10 milhões de ovos de incubação estão sendo destruídos em um incubatório do Estado como medida preventiva contra a gripe aviária, após a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adapar) rastrear uma carga de 12 mil ovos vinda do Rio Grande do Sul.

A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento afirmou à Banda B que a medida está prevista no Plano Nacional de Contingência da Influenza Aviária. Apesar da ação, o órgão declarou que não há evidências de que esses ovos estivessem contaminados com o vírus da influenza aviária.

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Paraná destrói mais de 10 milhões de ovos após rastrear carga vinda do Rio Grande do Sul — Foto: Luiz Agner/IBGE

Ovo de incubação é um ovo fértil destinado à reprodução de aves, e não ao consumo. Ele é colocado em incubadoras (naturais ou artificiais) para que o embrião se desenvolva até o nascimento do pintinho.

“A medida segue um protocolo sanitário para eliminar qualquer possibilidade de disseminação da doença e reforçar o compromisso da Adapar com a sanidade agropecuária”, disse o órgão.

A destruição dos ovos começou na sexta-feira (16) e será concluído nesta segunda (19). O governo de Minas Gerais destruiu 450 toneladas de ovos provenientes da granja em Montenegro, cidade gaúcha com pouco mais de 64 mil habitantes que registrou o primeiro foco de gripe aviária em uma granja comercial. O Rio Grande do Sul também adotou medida semelhante.

O Paraná não tem registro ou suspeita de gripe aviária. Maior produtor e exportador de carne de frango do país, o Estado adota protocolos sanitários rigorosos para garantir a qualidade da produção, segundo o governo. O sistema de controle conta com 131 escritórios locais, 33 postos de fiscalização em divisas e parcerias com prefeituras e sindicatos rurais nos 399 municípios paranaenses.

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Abatedouro de aves da cooperativa lar em Matelândia — Foto: Jonathan Campos/AEN

“A Adapar já emitiu nota técnica reforçando as recomendações aos produtores, que envolvem a verificação das telas para evitar a entrada de outros animais nas granjas, restrição de entrada e desinfecção dos solados de sapatos, roupas e veículos, e caminhos de notificação, entre outros.”

A nota técnica do órgão também reforça que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves ou ovos, sendo segura a ingestão desses alimentos provenientes de estabelecimentos inspecionados.

Frigoríficos suspensos pela China

Vinte e um frigoríficos de frango e derivados do Paraná tiveram a habilitação para exportar à China suspensa após a confirmação de gripe aviária em uma granja comercial no RS. Ao todo, 51 frigoríficos brasileiros foram afetados pela medida, e nove destinos de exportação já interromperam temporariamente a compra de carne de frango do Brasil.

Na lista, o Paraná — maior exportador de frango do Brasil — aparece como o estado mais afetado pela suspensão. Na sequência, surge Santa Catarina (14), seguida pelo Rio Grande do Sul (8).

Em nota divulgada um dia antes da China suspender a compra de aves brasileiras, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou que “tem trabalhado ativamente para que nas negociações de acordos sanitários internacionais os países parceiros reconheçam o princípio de regionalização, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) – restringindo a exportação aos 10 quilômetros de raio do foco”.

Veja a lista de frigoríficos paranaenses de frango suspensos pela China:

  • Seara Alimentos Ltda, de Rolândia;
  • Lar Cooperativa Agroindustrial, de Cafelândia;
  • C.Vale – Cooperativa Agroindustrial, de Palotina;
  • Coopavel Cooperativa Agroindustrial, de Cascavel;
  • Gonçalves & Tortola S/a, de Maringá;
  • Lar Cooperativa Agroindustrial, de Matelândia;
  • Copacol – Cooperativa Agroindustrial Consolata, de Cafelândia;
  • BRF S.A., de Toledo;
  • Lar Cooperativa Agroindustrial, de Marechal Cândido Rondon;
  • Coasul Cooperativa Agroindustrial, de São João;
  • Gonçalves & Tortola S/A, de Paraíso do Norte;
  • Lar Cooperativa Agroindustrial , de Rolândia;
  • Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Mandaguari;
  • Copacol – Cooperativa Agroindustrial Consolata, de Ubiratã;
  • Cotriguaçu Cooperativa Central, de Cascavel;
  • Avenorte Avícola Cianorte Ltda, de Cianorte;
  • Plusval Agroavícola Ltda, de Umuarama;
  • Jaguafrangos Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, de Jaguapitã;
  • Seara Alimentos Ltda, de Santo Inácio;
  • Dip Frangos S. A., de Capanema;
  • Somave Agroindustrial Ltda, de Cidade Gaúcha.