O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (13) que a inflação dos alimentos será um problema que terá de ser enfrentado “por um longo tempo”, mas exaltou o fato de que não há escassez de alimentos no Brasil.

Bolsonaro falou em evento no Palácio do Planalto, quando foi anunciado programa para fomentar investimentos privados na reciclagem de produtos e embalagens.

O chefe do Executivo ressaltou que o Brasil vai ser importante para a segurança alimentar do mundo, em particular por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia. Mas, por outro lado, afirmou que o conflito terá um grande efeito nos preços dos alimentos e que por isso a população deve se preparar para enfrentar esse problema por um certo período de tempo.

“Hoje, aproximadamente 40% do trigo consumido no Brasil vem de fora. A gente acompanha os problemas a 10 mil quilômetros de distância. A Ucrânia é um grande país exportador de trigo e isso terá um repique na inflação do mundo todo. Pelo que se tem demonstrado, a inflação na questão alimentar terá que ser convivida por um longo tempo”, disse o presidente da República.

Foto: Alan Santos/PR

Bolsonaro também justificou a situação, argumentando que, além da pandemia do novo coronavírus e da guerra, o Brasil teve a pior estiagem dos últimos 91 anos e que houve geada, prejudicando a produção.

Mesmo assim, argumenta, o Brasil “despontou como um dos que menos sofreu”. Disse também que não há escassez de alimentos no Brasil.

O chefe do Executivo, nesse momento, comparou a inflação brasileira com a dos Estados Unidos e disse a registrada aqui é menor. A inflação americana acumulada dos últimos 12 meses, porém, fechou em 8,5% e a do Brasil foi de 11,3%.

“O Brasil é um país que, na economia, tem se despontado como um dos que menos sofreu perante o mundo. Aqui não se tem notícia de escassez de alimentos. Países outros, além de uma inflação muito maior do que ocorrida no Brasil, Estados Unidos, por exemplo, 8,5%, já existe desabastecimento de alguns produtos”, afirmou.

Apesar de Bolsonaro exaltar que não existe escassez de alimentos, os últimos meses foram marcados por uma queda no poder de compra do brasileiro diante da disparada da inflação, que resultou no aumento da fome no Brasil.

Pesquisa Datafolha divulgada em dezembro apontou que 26% dos brasileiros afirmam que a quantidade de comida em casa não foi suficiente para alimentar suas famílias nos últimos meses.
O percentual chega a 37% entre aqueles com renda mensal de até dois salários mínimos.

O levantamento também mostrou que 15% dos brasileiros deixaram de fazer alguma refeição nos últimos meses por não ter comida em casa.

Bolsonaro também minimizou a alta dos preços dos combustíveis, afirmando que os aumentos foram menores que em outros países do mundo.

“E a questão da energia também: petróleo, gasolina. Um dos que menos aumentou de preço foi o Brasil. Aumentou bastante? E reconhecemos que sim, mas foi um dos que menos aumentou”, afirmou.

Também presente no evento, o ministro Paulo Guedes (Economia) disse que o Brasil foi duramente criticado no passado por seus problemas ambientais, mas que agora, por causa da guerra na Ucrânia, está se tornando um ator relevante para garantir a segurança alimentar e energética do mundo.

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Não se tem notícia de escassez de alimentos no Brasil, diz Bolsonaro

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