O aumento nos preços de passagens aéreas e combustíveis fez com que a taxa de inflação para as famílias de alta renda se aproximasse da verificada para os consumidores de renda muito baixa, segundo levantamento mensal do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta quarta-feira (11).

A inflação das famílias com renda domiciliar menor que R$ 1.650,50 foi de 0,98% em setembro e outubro. Na faixa com renda maior que R$ 16.509,66, o indicador passou de 0,29% para 0,82% no período.

Em agosto, a cesta de consumo dos mais ricos chegou a registrar deflação, enquanto os preços subiram 0,38% para os mais pobres. Nesses dois meses (setembro e outubro), pesou mais a inflação de alimentos e bebidas, que tem maior impacto na cesta de consumo dos mais pobres.

 

 

No acumulado do ano, a inflação ainda pesa mais para os mais pobres (3,53%), mais que o triplo do verificado para os mais ricos (1,04%).

Segundo o Ipea, essa diferença se deve, por um lado, da pressão da alta dos alimentos sobre o custo de vida das famílias mais pobres e, por outro, do alívio sobre o orçamento das famílias de maior poder aquisitivo vindo da desaceleração dos preços dos serviços.

A inflação acumulada em 12 meses do segmento de renda mais baixa (5,3%) é mais que o dobro da observada na classe de renda mais alta (2,5%).

Em outubro, o grupo alimentos e bebidas foi responsável por mais de 60% de toda a inflação da classe de renda mais baixa, refletindo as expressivas variações de arroz, batata, tomate, óleo de soja e carnes.

“Por sua vez, a aceleração da taxa de inflação para as famílias de renda maior veio da alta do grupo transportes, impactado pelos reajustes de 39,8% das passagens aéreas e de 0,9% dos combustíveis”, diz o instituto.