O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, analisa uma nova rodada de medidas comerciais que pode afetar exportações de 60 economias, incluindo o Brasil. A decisão foi tomada após investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que os países analisados não adotam ou não fiscalizam de forma eficaz a proibição da importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Segundo o relatório, a ausência de controles adequados permite que mercadorias produzidas em condições consideradas irregulares entrem no comércio internacional com custos menores, gerando concorrência desleal para empresas que cumprem as normas trabalhistas.
Como resposta, o USTR propôs a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos importados desses países. A sobretaxa sugerida é de 10% para economias que possuem alguma restrição ou compromisso formal de combate ao trabalho forçado e de 12,5% para aquelas que, na avaliação do órgão, não adotam medidas suficientes.
Brasil está na lista de nova tarifa dos EUA
O Brasil aparece entre as 54 economias que, segundo os Estados Unidos, não conseguiram impor nem aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Na mesma lista estão países como China, Argentina, Japão, Reino Unido, Austrália e Índia.
Outras seis economias (Canadá, México, Equador, União Europeia, Indonésia e Paquistão) foram apontadas por falhas na fiscalização das restrições já existentes.
Sobretaxa que deve ser aprovada por Trump pode chegar a 37,5%
Para o Brasil, o impacto pode ser ainda maior. Isso porque o país já é alvo de outra investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, relacionada a supostas práticas de concorrência desleal. Nesse processo, o USTR propôs uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
Como as duas investigações apresentam praticamente a mesma lista de exceções, especialistas avaliam que as sobretaxas podem ser cumulativas para parte das mercadorias exportadas ao mercado americano. Na prática, produtos atingidos pelas duas medidas poderiam enfrentar uma tarifa total de até 37,5%. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
A decisão final sobre a aplicação das tarifas cabe ao presidente Donald Trump.
Produtos que ficaram de fora
Com relação ao Brasil, os Estados Unidos decidiram excluir da sobretaxa alguns produtos considerados estratégicos para a economia americana ou que poderiam provocar aumento de preços e dificuldades de abastecimento interno.
Entre os itens poupados estão café, carne bovina, suco de laranja, frutas tropicais, medicamentos, vacinas, petróleo, gás natural, minérios e componentes e equipamentos da indústria aeronáutica.
Setor industrial é o mais preocupado
As maiores preocupações estão concentradas nos produtos industrializados que não aparecem na lista de exceções apresentadas pelos EUA. Setores como máquinas e equipamentos, produtos elétricos, madeira e manufaturados de madeira, móveis, têxteis, confecções e calçados, segundo especialistas, podem ser os mais afetados.
Para esses segmentos, a eventual aplicação das novas tarifas tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano e dificultar a ampliação das exportações para os Estados Unidos.